Raí Oliveira*
Acabo de chegar em Munique, na Alemanha, vindo do Brasil, que já está em clima de Copa, e chegando aqui, onde se respira a Copa do Mundo.
No aeroporto, hotéis, bares, o que se vê é realmente um país que abraçou esta Copa do Mundo.
O Brasil é favorito. E muitos estão comparando esta Seleção Brasileira de 2006 com grandes seleções brasileiras como a de 70 e, principalmente, com a Seleção de 82.
Eu acredito que existem semelhanças na qualidade dos atletas e quantidade de atletas de alto nível. Mas existe uma diferença tática.
Na Copa de 82 o "Quadrado Mágico" estava no meio de campo, com Sócrates, Cerezo, Falcão e Zico. Nesta seleção, o "Quadrado Mágico" está na frente, vai começar com Adriano e Ronaldo, apoiados pelo Kaká e Ronaldinho Gaúcho. E tem o Robinho de sobra.
São equipes que se assemelham na variação tática que pode existir, dependendo da movimentação dos jogadores.
Em 82, apesar de não termos sido campeões do mundo, o técnico Telê (Santana) conseguiu fazer com que estes jogadores, grandes jogadores individualmente, estivessem a serviço do jogo coletivo. Por isso aquela Seleção encantou o mundo.
Esse é um desafio do Parreira. Outro é conseguir que este time tenha equilíbrio ofensivo e defensivo, o que muitos criticam na Seleção de 82, que ficou exposta demais.
O desafio de fazer os jogadores jogarem coletivamente tem que ser conseguido pelo Parreira no dia-a-dia, não só no campo, na tática, mas também no papo com os jogadores.
O Brasil consegue chegar nesta Copa do Mundo aliando a técnica a uma disciplina tática que vem muito da experiência acumulada como treinador pelo Parreira.
E com a força física.
Quando temos um jogador como o Kaká, o Ronaldinho Gaúcho, o Brasil hoje reúne todas estas características e por isso é o favorito para esta Copa do Mundo de 2006.
* Raí é colunista da Rádio CBN e escreverá para a BBC Brasil durante a Copa do Mundo