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23 de maio, 2006 - 20h47 GMT (17h47 Brasília)

Bolsas européias recuperam perdas em dia tenso

Depois de fecharem em baixa na segunda-feira, as bolsas européias estão operando em alta em mais um dia marcado pelas incertezas sobre os próximos passos do Banco Central americano, o Federal Reserve.

Às 14h15 do horário local (10h15 em Brasília), o índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, subia 2,3%. Na França, o CAC 40 subia 2,2% e, na Alemanha, o DAX subia 2%.

"A recuperação de hoje é mais um repique, que pode ser passageiro. Ontem, vivemos momentos de pânico, hoje, não há pânico, mas a aversão ao risco continua", disse o operador de um banco em Londres.

A recuperação na Europa, no entanto, pode ser passageira.

"O fato de estarem subindo hoje não significa que não possam cair amanhã. A turbulência nos mercados ainda deve durar algumas semanas", disse o economista-chefe da consultoria britânica Anchorage Capital Partners, Pedro Souza Leão Regina.

"A cautela continua dominando as decisões", acrescentou.

A recuperação na Europa contrasta com o fechamento em baixa de mercados asiáticos.

O índice Nikkei, principal indicador da Bolsa de Tóquio, caiu 1,6% para 15.599,20 pontos. Foi o nível de fechamento mais baixo desde o último dia 20 de fevereiro.

"A Ásia reflete mais o que ocorreu nos mercados dos Estados Unidos e Europa no dia anterior. Não é parâmetro para hoje", explicou um operador.

A atenção dos investidores nesta terça-feira está voltada para o discurso do presidente do Fed, Ben Bernake, no Senado americano. Ele falará sobre o tema "Educação em Finanças", mas o mercado ficará atento a qualquer referência ao destino dos juros nos Estados Unidos.

Investidores esperavam que o ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos tivesse chegado ao fim, depois da 16ª elevação consecutiva, mas dados recentes sobre a inflação americana, que ficou um pouco acima do esperado, sugerem que a taxa pode ser novamente elevada.

Quando os juros sobem nos EUA, investidores tendem a retirar recursos de países emergentes, considerados de maior risco, em busca de investimentos mais seguros, como os títulos do governo americano, que são remunerados de acordo com a taxa determinada pelo Fed.

Além disso, taxas de juros mais altas nos EUA reduzem o consumo e o investimento, diminuindo lucros e ameaçando o crescimento da economia global.