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01 de maio, 2006 - 19h35 GMT (16h35 Brasília)

Governo boliviano nacionaliza reservas de gás

O presidente boliviano, Evo Morales, determinou a ocupação de usinas de extração de gás e poços de petróleo nesta segunda-feira e ameaçou expulsar companhias estrangeiras que não cedam o controle de toda a cadeia de produção para os bolivianos.

Morales disse que os militares e engenheiros da estatal de petróleo boliviana seriam enviados "imediatamente" para instalações pertencentes a empresas estrangeiras, entre elas a Petrobrás, a britânica BP, a Repsol argentina e a americana Exxon Mobil Corp.

Morales elegeu-se em dezembro prometendo um controle cada vez maior do Estado e a redução da influência dos Estados Unidos na região.

De acordo com o decreto, anunciado em discurso por Morales neste feriado do Dia do Trabalho, as empresas têm seis meses para renegociar os contratos ou devem sair do país.

Saques

"O dia chegou, o dia que aguardávamos, um dia histórico no qual a Bolívia retoma o controle absoluto dos seus recursos naturais," disse o presidente boliviano no discurso que fez em uma plataforma de petróleo operada pela Petrobrás em associação com a francesa Total e com a Repsol.

"Os saques das empresas estrangeiras acabaram," disse Morales.

O anúncio acontece menos de um mês depois que Chávez determinou a tomada de poços de petróleo da Total e da italiana Eni SpA porque elas não cumpriram a exigência de entregar as operações para a estatal Petróleos de Venezuela SA.

A Bolívia só fica atrás da Venezuela em reservas de gás natural na América Latina.

A medida "busca garantir que os poços de petróleo forneçam o abastecimento normal de energia conforme acordos internacionais, assim como o abastecimento interno", afirma um comunicado do Exército divulgado logo depois do anúncio.

As reservas da Bolívia são controladas por empresas estrangeiras desde sua privatização, em 1996. A Petrobrás controla cerca de 45% dos campos de extração e possui as duas maiores refinarias no país.

Morales tem dito repetidamente que os recursos naturais bolivianos foram "saqueados" por empresas estrangeiras e têm que ser nacionalizados para que o país possa ser beneficiado pelos lucros, hoje enviados para o exterior.

Mas tem também frisado que a nacionalização não significa tomar toda a tarefa de exploração para Estado, porque a Bolívia não tem condições de explorar todo o gás sozinha.