06 de fevereiro, 2006 - 12h41 GMT (10h41 Brasília)
O preço do petróleo teve uma alta súbita nesta segunda-feira com a notícia de que o Irã retomou o enriquecimento de urânio e alertou que não vai mais permitir inspeções de surpresa em suas instalações nucleares.
Apesar das promessas do governo iraniano de que não vai usar o petróleo como arma política, o mercado teme que a deterioração das relações do Irã com a comunidade internacional possa afetar as exportações do quarto maior produtor de petróleo do mundo.
O barril do petóleo cru subiu mais de US$ 1,25 (R$2,75) na abertura do pregão e estava sendo cotado a US$ 64,50 (R$142,00).
"O Irã disse na semana passada que vai separar a questão nuclear da questão do petróleo, mas no ano passado havia afirmado que o petróleo poderia ser usado como arma para conseguir o que queria na área nuclear", disse David Thurtell, estrategista de commodities no Commonwealth Bank of Australia.
Dezembro
O preço do petróleo vinha subindo desde dezembro, pressionado pelo aumento do interesse por parte dos fundos de investimentos e da preocupação com a situação geopolítica do Irã e da Nigéria.
No dia 23 de janeiro, o barril chegou a US$69,20 (R$152,50), quase alcançando o recorde de agosto de US$70,85 (R$156,00). Mais reentemente vinha caindo, com a a retomada dos estoques de gaolina nos Estados Unidos e do inverno pouco rigoroso no país.
O Irã reagiu rapidamente à decisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de remeter o país ao Conselho de Segurança, mesmo que o Conselho não vá tomar nenhuma atitude até que a AIEA entregue um relatório completo em março.
O governo iraniano insiste que só vai usar a tecnologia de energia nuclear para gerar eletricidade, mas está suspendendo todas as medidas voluntárias que aceitou tomar desde que suspendeu o enriquecimento de urânio, em 2003. Entre as medidas estavam as inspeções de surpresa dos técnicos da AIEA.
O Conselho de Segurança da ONU tem o poder de impor sanções políticas e econômicas, mas há divisões entre os cinco membros permanentes, que têm poder de veto. A Rússia, particularmente, está trabalhando para evitar a imposição de sanções.
O Irã tem alertado que sanções sobre suas exportações de petróleo podem elevar demais o preço do produto nas economias industrializadas.
"Nossos inimigos não podem fazer nada. Não precisamos de vocês para nada, mas vocês precisam da nação iraniana," disse o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para uma multidão no domingo, em Teerã.
Para aumentar a incerteza, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse no sábado que o presidente americano, George W. Bush, é pior do que Hitler e prometeu comprar mais armas para defender seu país. As declarações coincidem com uma semana que as relações diplomáticas com os Estados Unidos se deterioraram com expulsões de diplomatas de lado a lado.
Chávez ameaçou fechar refinarias venezuelanas nos Estados Unidos e vender o petróleo destinado ao mercado americano para outros países, apesar de autoridades americanas não terem sugerido que pretendam cortar relações.
A Venezuela é o quinto maior exportador de petróleo do mundo e Chávez é um dos sócios da OPEC mais interessados em manter a atual alta de preços.