14 de dezembro, 2005 - 11h48 GMT (09h48 Brasília)
Desentendimentos entre os Estados Unidos e a União Européia (UE) dominaram o segundo dia de negociações da reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Hong Kong.
Os Estados Unidos retomaram as pressões para que a UE faça concessões adicionais no comércio agrícola, e os europeus reafirmaram que a questão agrícola é apenas um fator nas negociações.
O negociador chefe dos Estados Unidos, Rob Portman, disse nesta quarta-feira que um novo acordo na agricultura teria que estar no centro de qualquer nova estrutura de livre comércio a ser alcançada, mesmo que de forma tentativa, na reunião da OMC.
"Eu acredito que ou avançamos ou corremos o risco de recuar para o protecionismo que vai travar o crescimento econômico e em que o mundo em desenvolvimento será o mais prejudicado", disse Portman.
O chefe das negociações comerciais da União Européia, Peter Mandelson, disse que "a política da temeridade e de aposta para subir o preço (das propostas) está atravancando o caminho".
Reciprocidade
Portman disse que a conferência de Hong Kong deveria marcar uma data para outra reunião ministerial "para manter a pressão".
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| Mandelson quer discutir liberalização de bens industriais e serviços |
"Precisamos de muito, muito mais sobre a mesa", acrescentou, defendendo reciprocidade em propostas para liberalizar o comércio de bens industriais e serviços para se equiparar à oferta já feita pela UE na agricultura.
"A rodada só será bem-sucedida se pudermos mostrar o que ganhamos pelo que demos, e todos devem aceitar essa realidade política.”
Com o objetivo de tirar o foco das atenções da agricultura, a União Européia apresentou propostas para ajudar as exportações de todos os países mais pobres.
Mandelson quer que esses países possam exportar todos os seus produtos, agrícolas ou industriais, sem tarifas e sem quotas.