04 de novembro, 2005 - 05h36 GMT (03h36 Brasília)
O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira um programa de cortes de US$ 35 bilhões no orçamento do governo com o objetivo de reduzir o déficit fiscal do país.
O projeto precisa ser agora conciliado com o que foi aprovado na Câmara dos Representantes, prevendo cortes ainda maiores, de US$ 54 bilhões. A versão consensual deverá ser, então, enviada ao presidente George W. Bush.
Entre as áreas que sofreriam cortes no projeto do Senado, está a agricultura, com reduções de cerca 2,5% nos subsídios a agricultores, especialmente os que produzem algodão e grãos.
Segundo o jornal The Washington Post, a aprovação do projeto é um esforço dos congressistas republicanos de demonstrar disciplina fiscal em meio a críticas de gastos excessivos pelo governo.
O projeto, chamado de Ato da Redução do Déficit, corta despesas em todas as áreas, com exceção daquelas relacionadas à Defesa e à Segurança Nacional, no período entre 2006 e 2010.
A aprovação do projeto no Senado se deu no mesmo dia em que o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Alan Greenspan, alertou para o potencial impacto negativo do déficit na economia americana.
"A não ser que a situação seja revertida, em algum momento essas tendências do orçamento vão causar sérios problemas", disse Greenspan, referindo-se ao déficit fiscal americano, que em setembro de 2005, estava em US$ 319 bilhões.
Na Argentina, onde participa da 4ª Cumbre das Américas, Bush definiu a aprovação da lei como "um importante passo para cortar o déficit".
Ainda é incerto, no entanto, como o pacote ficará depois de ser conciliado com o da Câmara.
Um dos pontos mais polêmicos na proposta do Senado é a abertura de uma reserva de vida selvagem no Alasca à exploração de petróleo e gás.
Os democratas, apoiados por alguns republicanos, votaram contra o projeto, insistindo que a melhor forma de reduzir o déficit seria reverter os cortes nos impostos promovidos pelo governo Bush desde 2001.
Eles criticaram, por exemplo, o fato de o projeto prever que a maior economia seja feita às custas da educação e da saúde, áreas que perderiam mais de US$ 16 bilhões.