12 de outubro, 2005 - 20h45 GMT (17h45 Brasília)
O G20, o grupo de países emergentes do qual o Brasil faz parte, apresentou nesta quarta-feira, em Genebra, uma contraproposta às ofertas de corte de subsídios agrícolas feitas pelos Estados Unidos e União Européia (UE).
A proposta prevê cortes de 80% dos subsídios dados pelos países da União Européia a seus agricultores e de 75% dos dados pelos Estados Unidos aos seus.
Se a alternativa apresentada pelo G20 for aceita, os Estados Unidos só poderão conceder US$ 11 bilhões em subsídios, e os países da UE, US$ 22 bilhões.
No caso das tarifas de importação, o G20 sugeriu uma redução de 54% das taxas aduaneiras cobradas pelos países ricos dos produtores agrícolas.
"Queremos que a rodada de negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio) gere cortes reais e um resultado ambicioso", disse o Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, nesta quarta-feira em Genebra.
UE X EUA
Na reunião na Suíça, representantes do G20, da UE e dos Estados Unidos tentaram avançar nas negociações tendo em vista a reunião ministerial da OMC que se realiza em dezembro em Hong Kong, na qual os 148 membros da organização devem aprovar medidas para implementar a chamada Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial.
Mas o encontro em Genebra terminou sem que uma proposta tenha aprovada por todos os presentes.
O representantes de comércio dos Estados Unidos, Rob Portman, criticou nesta quarta-feira a oferta de cortes de subsídios apresentada pela UE, dizendo que ela é insuficiente.
Na segunda-feira, Portman disse que os Estados Unidos estavam dispostos a reduzir seus subsídios agrícolas em 60%, mas apenas se a UE e o Japão reduzissem os seus em cerca de 80%.
Por sua vez, durante os três dias de reunião, a UE aceitou implementar um corte de 60% nos subsídios. O comissário de comércio da União Européia, Peter Mandelson, também teria proposto reduzir as tarifas de importação em, em média, 24,5%.