O preço do barril de petróleo disparou nesta segunda feira, passando dos US$ 70 pela primeira vez, por causa da chegada do furacão Katrina à região do Golfo do México.
Essa região é crucial para a infra-estrutura de produção de energia nos Estados Unidos. Nessa área ficam plataformas de produção de petróleo, terminais de importação, redes de oleodutos e diversas refinarias.
Nesta segunda-feira, no mercado em Cingapura, os contratos para entrega futura de petróleo subiram US$ 5, chegando a US$ 70,80, depois caíram para US$ 69,93.
Os preços de petróleo vêm sendo pressionados pela preocupação de que a produção não deve atender à demanda global e também pelas incertezas políticas em países produtores importantes.
Plataformas
Companhias de petróleo como Shell, Chevron, ExxonMobil e Total fecharam suas usinas e retiraram seus funcionários da região do Golfo do México por causa do Katrina.
A produção na região foi reduzida em cerca de 40% – equivalente a cerca de 650 mil barris por dia – e, segundo analistas, não há meios de prever os danos que o furacão poderá causar.
"Não é apenas a suspensão da produção de petróleo que está preocupando. É o fato de que pode haver danos às plataformas, o que pode levar à interrupção de produção mais prolongada", disse Victor Shum, analista de petróleo da Purvin & Gertz.
"Parece ser a tempestade perfeita para aumentar os preços."
Demanda
A intensidade do furacão e o fato de coincidir com o aumento sazonal do consumo causam preocupação.
"Podemos esperar dois meses de produção perdida, o que é a pior notícia possível, porque acontece em período de pico da demanda", disse David Thurtell, estrategista de petróleo do Commonwealth Bank, na Austrália.
Também existe a preocupação com os efeitos que os preços altos do petróleo podem ter sobre a economia mundial.
Quanto mais as pessoas precisam gastar com gasolina e combustível para aquecimento quando chegar o inverno no Hemisfério Norte, menos dinheiro terão para gastar nas lojas.
Qualquer redução nos gastos de consumo pode ter forte impacto sobre as economias dos Estados Unidos e da Europa, onde alguns países já enfrentam dificuldades para promover o crescimento.
"Esse surto de aumento dos preços de petróleo é a maior preocupação neste momento", disse Kim Dong-uk, estrategista de bolsas da Daishin Securities.
"Depois disso, precisamos ver qual o prejuízo causado pelo Katrina e qual é a reação de Wall Street."