10 de junho, 2005 - 20h27 GMT (17h27 Brasília)
O conglomerado financeiro americano Citigroup aceitou pagar US$ 2 bilhões em um acordo para suspender um processo que vinha sofrendo na Justiça, movido pelos acionistas da empresa de energia Enron, que faliu em 2001.
Na ação coletiva, o Citigroup era acusado de ter ajudado a Enron na enorme fraude contábil que levou ao fim da empresa.
O Citigroup não admitiu responsabilidade no caso, e disse que os US$ 2 bilhões que serão pagos aos acionistas iriam ser usados para cobrir custos legais de sua defesa na Justiça.
O grupo já tinha pago outros US$ 2,6 bilhões a investidores dentro de um acordo no caso Worldcom, em 2004.
O presidente do grupo, Charles Prince, disse que o banco queria resolver o caso.
"Temos uma agenda ambiciosa para o crescimento futuro do Citigroup", disse. "É prioridade para o Citigroup deixar para trás esse capítulo difícil da nossa história."
Processos
Os investidores que vão ganhar com o acordo são os que compraram ações e papéis da Enron entre setembro de 1997 e dezembro de 2001.
Foi constatado que a Enron aumentou seu faturamento e escondeu dívidas por meio de uma rede de empresas offshore.
Os investidores acusaram o Citigroup e outras instituições – incluindo JP Morgan Chase, Barclays, Credit Suisse, First Boston, Canadian Imperial Bank of Commerce e o Deutsche Bank – de terem ajudado na fraude.
Na liderança do processo está a Universidade da Califórnia, cuja diretoria ainda tem que ratificar o acordo para abandonar o processo. A diretoria do Citigroup também ainda não aprovou oficialmente esse acordo.
O processo continua contra os outros acusados.
Ética
Observadores do caso manifestaram satisfação com a decisão do Citigroup, mas também preocupação com a mensagem disso em relação às práticas do banco.
"Claramente não haverá um impacto financeiro", disse Richard Bove, analista da Punk Ziegel, na Flórida.
"Mas o problema é que levanta dúvidas em relação à credibilidade do processo empresarial no Citigroup."
O Citigroup esteve envolvido em uma série de incidentes recentes em que sua ética foi questionada.
No Japão, foi forçado a abandonar atividade de administração privada de recursos depois que as suas agências locais foram acusadas de práticas que podem ter levado à lavagem de dinheiro.
Em agosto do ano passado, seus corretores foram acusados de vender um grande volume de títulos de governos europeus, comprando-os de volta poucos minutos depois, quando os preços tinham desabado.
Diversas agências de fiscalização abriram investigações em todo o continente.
Na Alemanha foi levantada a possibilidade de processo por manipulação do mercado, embora depois a agência tenha decidido que o banco não deveria responder à acusação.
O banco diz que adotou iniciativas agressivas para corrigir qualquer descuido e estimular uma cultura de práticas éticas.