03 de junho, 2005 - 20h04 GMT (17h04 Brasília)
A China criticou os Estados Unidos por terem imposto restrições às importações de têxteis, chamando a iniciativa de "protecionismo comercial".
O ministro do Comércio do China, Bo Xilai, disse que os novos limites representam "sérias ameaças" à indústria têxtil chinesa.
O representante do Comércio dos Estados Unidos, Robert Portman, descartou as alegações, dizendo que os EUA agiram dentro das regras internacionais.
Essa recente disputa verbal coincide com reuniões dos dois à margem do fórum da APEC (Asia Pacific Economic Corporation) na Coréia do Sul.
Portman vai a Pequim no sábado, depois do fórum para continuar as discussões sobre a questão com o vice-premiê da China, Wu Yi.
Portman disse que as últimas negociações "ajudaram e foram construtivas".
Medidas 'injustas'
No entanto, Portman defendeu as restrições impostas sobre uma variedade de produtos têxteis chineses, incluindo camisas de homem e menino, calças de tecidos feitos pelo homem e fio de algodão penteado.
"As salvaguardas adotadas pelos Estados Unidos são consistentes com a Organização Mundial do Comércio (OMC), com nossos direitos dentro da OMC", disse.
A China, porém, descartou essas alegações.
"Essa iniciativa é não justa de maneira nenhuma. É uma iniciativa de protecionismo comercial", disse Bo.
Os Estados Unidos dizem que as restrições às importações chinesas foram feitas dentro de provisão especial feita quando a China entrou na OMC em 2001.
A União Européia também ameaça adotar salvaguardas contra têxteis chineses.
Essa provisão permite que países imponham limites às importações de têxteis da China para impedir "abalos ao mercado" até o fim de 2008.
Os Estados Unidos alegam que algumas categorias de importados chineses aumentaram em até 1.000% desde que o Acordo Multifibras, que tinha 30 anos, expirou em 1º de janeiro.
A indústria têxtil americana diz que mais de 16 mil empregos foram perdidos desde o fim do acordo.
Desde o anúncio das restrições, a China retirou sua oferta de aumentar tarifas sobre suas exportações de têxteis.
Pressão
A China enfrenta pressão crescente de Washington para mudar seu sistema de câmbio fixo em relação ao dólar.
Muitos políticos americanos acreditam que a moeda chinesa, o yuan, está artificialmente depreciado em relação ao dólar, o que torna as exportações da China mais baratas.
O Senado americano deve votar um projeto de lei que impõe tarifa adicional de 27,5% sobre todos os produtos importados da China, a não ser que yuan possa flutuar livremente.
A UE também está preocupada com o aumento de exportações de têxteis chineses desde o fim do acordo.
O comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, diz que prefere negociações para reduzir o volume de importados chineses do que impor quotas.