02 de junho, 2005 - 16h05 GMT (13h05 Brasília)
O euro registrou nesta quinta-feira a sua maior queda em oito meses.
Na quarta-feira, a Holanda rejeitou a Constituição européia, repetindo o que aconteceu na França, no domingo.
A moeda caiu para 1,2158 em relação ao dólar durante a noite de quarta para quinta - o menor índice desde setembro. Ao meio-dia desta quinta-feira, a moeda apresentou uma pequena recuperação: 1,2261 em relação ao dólar.
A segunda rejeição à Constituição do bloco levantou dúvidas se a Europa conseguirá realizar com rapidez reformas econômicas e projetos de integração.
Apesar das preocupações, o Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juros, que estão em 2% ao ano há dois anos.
A política de "uma taxa de juros única serve para todos" da União Européia vem recebendo duras críticas por ser alta demais para economias em crise e por não ser alta o suficiente para controlar a inflação de outros países.
'Besteira'
Segundo analistas, o "não" na França e na Holanda não ajudou, mas a maior razão para a queda do euro é a recente tendência de alta nas taxas de juros americanas.
O diretor do Banco Central da Holanda, Nout Wellink, apressou-se em negar que a unidade monetária européia esteja comprometida.
"É uma besteira. Tudo continua normalmente", disse.
O euro continua mais valorizado do que o dólar e a sua queda pode estimular as exportações na zona do euro.
Segundo analistas, os holandeses rejeitaram a Constituição por causa de sua hostilidade ao euro, da falta de crescimento da economia da UE, do medo da criação de um super-Estado europeu e da preocupação com as políticas de imigração.
Ron Van der Kroll, do jornal holandês Het Financiele Dagblad, acredita que o resultado do plebiscito não terá "efeito imediato" no país.
"A grande questão é o que acontecerá com os investidores internacionais, as empresas americanas e asiáticas", disse.
"Se a percepção deles em relação à Holanda mudar e o dinheiro parar de entrar, certamente a economia vai se ressentir."
'Problema sério'
Van der Kroll acrescentou que o resultado do plebiscito foi uma reação "emocional" dos holandeses que estão irritados com os grandes aumentos de preços desde a introdução do euro.
Especialistas dizem que o resultado da votação também põe em dúvida os planos de expansão da UE em direção ao leste da Europa.
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, reconheceu que o resultado da votação na Holanda significa que haverá dias difíceis para a UE.
"Acho que temos um problema, um sério problema", disse ele.