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19 de maio, 2005 - 02h30 GMT (23h30 Brasília)

EUA impõem cotas para têxteis da China

Os Estados Unidos impuseram cotas de importação para mais quatro produtos têxteis da China, numa medida que deve aumentar as tensões comerciais entre os dois países.

A medida foi tomada em meio a reclamações da indústria têxtil americana sobre as perdas que estaria sofrendo por causa do crescimento de produtos chineses do setor no mercado.

Esta é a segunda vez em cinco dias que o goberno americano estabelece limites para a entrada de produtos têxteis chineses em seu território.

Restrições semelhantes pelos próprios Estados Unidos e pela Europa foram mal recebidas pelos chineses nos últimos meses.

Demissões

As exportações de têxteis da China têm aumentado significativamente desde janeiro, quando foi suspenso o sistema de cotas mundiais que regulava o setor até então.

A indústria têxtil dos Estados Unidos diz ter demitido 16 mil funcionários desde janeiro por causa da concorrência chinesa.

Antes do anúncio da decisão americana, o ministro do Comércio chinês, Bo Xilai, havia criticado os Estados Unidos pelo que chamou de medidas comerciais protecionistas e injustas.

O estabelecimento de cotas ocorre um dia depois de os Estados Unidos acusarem a China de conduzir uma política cambial "altamente distorsiva".

Um relatório do Departamento do Tesouro americano chegou a mencionar a possibilidade de acusar a China formalmente de manipulação cambial, caso não houvesse uma revalorização do yuan (moeda chinesa).

A crítica foi reforçada nesta quarta-feira pelo secretário do Tesouro, John Snow, que disse que a China precisa aumentar a flexibilidade cambialo a fim de evitar desequilíbrios fiscais que, segundo ele, prejudicariam a economia do gigante asiático e do mundo inteiro.

"A China também precisa desempenhar o seu papel em promover um crescimento econômico mundial sustentável e o ajuste de desequilíbrios internacionais. É aí que que a taxa de câmbio da China é fundamental", afirmou Snow, segundo a agência de notícias Reuters.

A acusação formal por manipulação de câmbio poderia levar à imposição de sanções comerciais por parte do governo americano.

Alguns empresários americanos dizem que o yuan está desvalorizado em até 40% tornando os produtos chineses artificialmente baratos e os americanos, caros comparativamente.