19 de maio, 2005 - 10h42 GMT (07h42 Brasília)
A China disse que não vai limitar suas exportações de têxteis para Estados Unidos e Europa, apesar das pressões de Washington e Bruxelas.
O ministro do Comércio da China, Bo Xilai, disse que seu país estava seguindo as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e acusou os Estados Unidos e a União Européia de ter "dois pesos e duas medidas".
Na quarta-feira, os Estados Unidos impuseram restrições à entrada de quatro novas categorias de vestuário importados da China – os bens que já estavam dentro das restrições eram calças de algodão e roupa íntima.
A UE também argumenta que houve um aumento excessivo das vendas de têxteis chineses ao mercado europeu desde o fim do sistema de quotas, em janeiro, e ameaça com sanções.
Empregos
De acordo com a UE, as exportações de determinadas roupas da China para a Europa aumentaram em mais de 500% nesse período.
Na terça-feira, o comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, disse que uma investigação tinha constatado uma ameaça "muito alta" para fabricantes europeus de camisetas e fio de linho.
Mandelson disse que a China tinha que começar negociações formais para restringir esses produtos ou enfrentar sanções.
No caso dos Estados Unidos, a indústria têxtil diz que mais de 16 mil empregos foram perdidos desde o começo deste ano.
Câmbio
"A integração do comércio têxtil é um direito que ganhamos desde que a China entrou na OMC e a China não vai aplicar limites sobre seus produtos têxteis", disse Bo a empresários internacionais em Pequim, na quarta-feira.
Segundo ele, os EUA e a UE não usaram a oportunidade de acabar com suas quotas em etapas e, por isso, seus mercados tinham sido inundados quando o sistema de quotas expirou.
"Uma vez que um acordo foi alcançado, todo mundo tem que cumprir seus compromissos. Do contrário, não há por que negociar regras", disse.
A Associação da Indústria Têxtil da China também defendeu a política de exportação do país.
"A China fez tudo o que pôde para limitar suas exportações crescentes e cumprir os seus compromissos com a OMC", disse à agência oficial de notícias Xinhua o vice-presidente da associação, Gao Yong.
Na quarta-feira, a lista de produtos chineses que serão limitados por quotas de importação passou a incluir camisas de homens e meninos, calças de fibras feitas por seres humanos, camisas tecidas, blusas e fio de algodão penteado.
A disputa sobre têxteis coincide com a crescente pressão de Washington sobre a China por causa do sistema de câmbio.
A moeda chinesa, o yuan, tem um câmbio fixo em relação ao dólar.
Na quarta-feira, o secretário do Tesouro americano, John Snow, disse esperar que a China reforme esse sistema, permitindo que o yuan flutue mais livremente em relação ao dólar.
No fim deste ano, o Senado americano deve votar um projeto de lei que imporia uma tarifa extra de 27,5% sobre todas as importações da China pelos EUA se o sistema de câmbio fixo não for eliminado em seis meses.