26 de fevereiro, 2005 - 03h13 GMT (00h13 Brasília)
Um tribunal alemão autorizou que uma cervejaria alemã adicione melado ao seu produto fermentado e continue a chamá-lo de "cerveja", desafiando tradicionais leis de pureza que vigoram há séculos no país.
A decisão põe fim a uma batalha judicial de dez anos da pequena cervejaria de Klosterbrauerei Neuzelle, na parte oriental da Alemanha.
O proprietário da cervejaria, Helmut Fritsche, adiciona melado depois da fermentação, no que até esta sexta-feira era entendido como uma violação das leis de pureza que limitam os ingredientes da cerveja a cereais maltados, lúpulo, fermento e água.
A Reinheitsgebot que, acredita-se, é a lei mais antiga da Alemanha, foi formulada por um duque da Baviera em 1516.
Cervejarias alemãs dizem que este é o mais antigo padrão de controle de qualidade estabelecido do mundo.
Mas Fritsche alegava que a legislação reprime a criatividade de pequenas cervejarias e deveria ser relaxada.
Com a decisão, a cerveja escura, chamada "Schwarzer Abt", pode ser apresentada como "cerveja especial", usando provisões semelhantes pois algumas cervejarias adicionam ervas no final do processo de fermentação.
A lei de pureza se aplica apenas a cervejas produzidas dentro da Alemanha, depois que um tribunal da União Européia decidiu que utilizá-la para barrar cervejas importadas do país contrariaria normas de livre comércio.