09 de fevereiro, 2005 - 11h48 GMT (09h48 Brasília)
A WorldCom “fez ajustes” em seus livros de contabilidade para apresentar resultados mais favoráveis por ordem de seu então presidente, Bernie Ebbers, segundo o ex-chefe do setor financeiro da empresa, Scott Sullivan.
Sullivan fez a declaração em um tribunal de Nova York. Ele é a testemunha-chave do processo contra Ebbers, que é acusado de fraude e conspiração com relação ao colapso da empresa.
Ebbers tem refutado as acusações.
O escândalo contábil da WorldCom, que estourou em 2002, é o maior da história dos Estados Unidos. A empresa tinha um rombo de US$ 11 bilhões (R$ 29 bilhões) em suas finanças quando foi à falência.
Ajuste
Sullivan, de 42 anos, se declarou cupado de fraude no ano passado por seu papel na maquiagem dos resultados da WorldCom e fez um acordo para ajudar a promotoria no caso contra Bernie Ebbers.
Ele disse que seu ex-chefe estava ciente dos problemas da empresa causados pela queda das receitas e o aumento de suas despesas.
Ebbers é acusado de pressionar seus funcionários no sentido de preparar resultados contábeis que correspondessem às expectavias dos analistas das Bolsas de Valores e acionistas.
Sullivan disse que o avisou no final de 2000 que os números referentes às receitas da empresa teriam que ser ajustados para não ficar aquém das expectativas dos analistas.
“Eu disse a Bernie que isto não estava certo”, disse Sullivan.
Segundo ele, Ebbers pegou os papéis, “estudou-os um pouco, olhou para baixo e disse: ‘Nós temos que atingir os nossos números’”.
Os advogados do ex-presidente da WorldCom dizem que seu cliente não estava familiarizado com práticas contábeis e deixava esta parte do negócio para Sullivan.
Mas Sullivan disse que Ebbers era um chefe que gostava de pôr a mão na massa e prestava muita atenção nos detalhes.
Ebbers pode ser condenado a 85 anos de prisão se for condenado por todas as acusações que lhe foram feitas.
A WorldCom saiu do estado de falência em 2004 e agora se chama MCI.