07 de fevereiro, 2005 - 17h53 GMT (15h53 Brasília)
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, encaminhou nesta segunda-feira ao Congresso americano uma dura proposta de orçamento que prevê grandes cortes em despesas domésticas para reduzir o déficit fiscal.
Cerca de 150 programas federais, incluindo subsídios agrícolas e assistência médica, podem ser reduzidos ou eliminados como parte de um pacote de cortes do orçamento de US$ 2,5 trilhões (mais de R$ 6,5 trilhões).
No entanto, as despesas militares vão aumentar, e a proposta exclui os custos das operações militares no Iraque.
O vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que o orçamento é o "mais apertado" até agora.
Austeridade
No coração do quinto orçamento do governo Bush está um pacote de austeridade doméstica.
Entre as medidas, está a correção das despesas não obrigatórias por valores abaixo da inflação prevista.
Cheney argumentou que o orçamento é "justo e responsável".
"Não é algo que fizemos com um machado ou que, de repente, viramos as costas aos mais necessitados de nossa sociedade", disse ele.
As guerras no Iraque e no Afeganistão, aumento das despesas com segurança nacional depois de 11 de setembro de 2001 e a recessão de 2001 eliminaram o superávit do orçamento herdado por Bush e levaram o país a um déficit recorde.
O déficit está estimado em US$ 427 bilhões em 2005.
Projetos em educação, proteção ambiental e transporte serão reduzidos como um primeiro passo na direção de reduzir o déficit para US$ 230 bilhões em 2009.
O governo também pretende reduzir o orçamento do Medicaid, que fornece assistência médica aos mais pobres dos Estados Unidos, em US$ 45 bilhões e dos subsídios agrícolas, em US$ 687 milhões.
Gastos com defesa e segurança interna, porém, vão aumentar, embora em valores abaixo do que tinha sido planejado originalmente.
O orçamento do Pentágono deve aumentar em US$ 19 bilhões, chegando a US$ 419,3 bilhões. O orçamento com segurança interna ganharia um reforço de US$ 2 bilhões.
Seguridade
A expectativa é de que o governo Bush peça US$ 80 bilhões a mais ao Congresso para despesas no Iraque e no Afeganistão ainda neste ano.
Também não está incluído na proposta de orçamento o custo de financiar o projeto de Bush de reforma radical da seguridade social.
Alguns especialistas esperam que essa reforma possa requerer financiamento de até US$ 4,5 trilhões em um período de 20 anos.
Apesar de o Partido Republicano de Bush ter a maioria na Câmara e no Senado, as propostas devem ser altamente contestadas nos próximos meses.
'Custos explosivos'
O senador republicano John McCain disse que estava satisfeito porque o governo estava preparado para cuidar do déficit.
"Com os déficits que temos, estou muito satisfeito que o presidente apresente um orçamento muito austero", disse.
No entanto, o senador democrata Kent Conrad disse que as propostas expõem o país a enormes compromissos financeiros após 2009.
"O custo de tudo o que ele (Bush) defende explode", disse ele.