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22 de novembro, 2004 - 11h51 GMT (09h51 Brasília)

Preocupação com dólar faz bolsas caírem

A preocupação com a queda do dólar atingiu as bolsas nesta segunda-feira, no rastro de uma reunião inconclusiva de ministros das Finanças e de palavras duras do presidente do Fed (o banco central americano), Alan Greenspan.

Em Londres, o índice FTSE abriu em queda e no Japão, o índice Nikkei caiu 2,11%, a maior queda em três meses.

Os ministros de Finanças dos países do G-20 não disseram nada para fazer subir o dólar, cuja queda pode aumentar os riscos para o crescimento da economia do Japão e da Europa.

Já Greenspan alertou que os países da Ásia podem deixar de financiar o déficit americano em breve.

Palavras

No início desta segunda-feira, o euro estava cotado acima de US$ 1,30.

A queda no valor da moeda americana não está sendo revertida apesar do discurso das autoridades americanas sobre a política do "dólar forte".

A iniciativa mais recente foi do próprio presidente americano, George W. Bush, que disse em reunião da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), no Chile, que permanecia comprometido a reduzir à metade o déficit público dos Estados Unidos.

O crescente desequilíbrio nas contas orçamentárias do governo americano e o déficit comercial de US$ 500 bilhões são percebidos como os dois principais fatores pressionando o dólar.

Na semana passada, o secretário do Tesouro americano, John Snow, disse que a política em relação ao dólar permanecia inalterada.

Mas ele também disse que a cotação da moeda está inteiramente a cargo dos mercados, o que foi interpretado pelos investidores como um sinal para vender dólares.

Alguns operadores acreditavam que a reunião do G-20 daria alguma direção, mas Snow deixou claro que o câmbio não estava na agenda do encontro.

Cautela

Para o governo americano, deixar o dólar se depreciar um pouco pode dar bons resultados a curto prazo.

As exportações dos Estados Unidos se tornam mais competitivas, o que poderia ajudar a reduzir o déficit comercial.

Já a dívida pública continua aumentando nos EUA e na semana passada, o Congresso americano autorizou um aumento de US$ 800 bilhões no limite de endividamento, elevando o total a US$ 8,2 trilhões.

Em discurso na sexta-feira, no entanto, Greenspan disse que a longo prazo as coisas podem ficar mais complicadas.

Atualmente, a maior parte do déficit está sendo coberta com a venda de títulos aos países da Ásia, como Japão e China, já que o dólar é percebido como a moeda das reservas internacionais.

Da mesma forma, os investimentos da Ásia ajudam a reduzir o déficit em conta corrente (nas contas externas).

Mas já há sinais de que a cautela está crescendo nesses países e em agosto, um leilão de títulos americanos teve poucos compradores.

Greenspan disse que isso poderia se tornar uma tendência, se a queda do dólar continuar erodindo o valor desses investimentos.