01 de novembro, 2004 - 05h39 GMT (02h39 Brasília)
O principal sindicato da Nigéria afirmou que vai realizar a segunda greve-geral em protesto contra o aumento no preço dos combustíveis e alertou que o movimento pode ter como alvo, especificamente, a produção de petróleo.
O Congresso Trabalhista Nigeriano (NLC, na sigla em inglês) confirmou que a greve começará no dia 16 de novembro.
Líderes sindicais acusaram a empresa de petróleo anglo-holandesa Shell de ser "inimiga do povo nigeriano", e convocou uma ação contra a companhia.
A Shell responde por cerca de metade das exportações diárias nigerianas, de 2,5 milhões de barris.
Petróleo
Adams Oshiomhole, líder do NLC, disse à BBC que, desta vez, a greve seria total e por tempo indefinido, e afetaria tanto a produção quanto a exportação de petróleo cru.
Ele acusou a Shell de tomar ações legais para evitar que trabalhadores dos escritórios da empresa se juntassem à greve dos operários.
Diretores da Shell não foram encontrados para fazer comentários.
O sindicato também rejeitou medidas adotadas pelo governo para ajudar a suavizar o impacto dos altos custos do combustível.
Qualquer interrupção nas exportações da Nigéria vai inflacionar os já altos preços dos mercados mundiais.
A última greve-geral convocada pelo NLC, de 11 a 14 de outubro, fechou bancos, empresas, lojas e serviços públicos, mas não afetou a exportação de petróleo.
Mas como a Nigéria é o sétimo maior produtor de petróleo do mundo, e o quinto maior fornecedor dos Estados Unidos, possíveis greves são motivo de preocupação no setor.
Os preços do petróleo subiram até 60% desde o começo do ano.
A demanda cresceu, principalmente, por causa do boom econômico na China e do contínuo alto consumo nos Estados Unidos, mas a oferta foi prejudicada por causa da guerra no Iraque.