28 de outubro, 2004 - 14h26 GMT (11h26 Brasília)
A maior companhia automobilística da Europa, a Volkswagen, anunciou uma queda significativa nos lucros parciais deste ano, apesar de ter suas ações valorizadas na bolsa de valores alemã.
Segundo a empresa, entre janeiro e setembro deste ano o rendimento bruto foi de 1,466 bilhão de euros – 40% menor do que no mesmo período de 2003, sendo que apenas no último trimestre o recuo foi de 22,7%.
Segundo executivos da empresa, as condições econômicas atuais se complicaram com a alta do preço do petróleo e a perda de força do dólar frente ao euro – o que tornou as exportações menos rentáveis.
Somente a diferença do câmbio custou 3,5 bilhões de euros à Volkswagen.
A diretoria da Volkswagen continua olhando para o futuro da conjuntura da indústria automobilística com ceticismo, mas ainda acredita que a empresa possa fechar o ano com um lucro de 1,9 bilhão de euros.
Depois de o primeiro semestre de 2004 ter fechado com rendimentos abaixo das expectativas, a Volkswagen reduziu suas previsões iniciais de lucro para este ano, que era de 2,5 bilhões de euros.
Ações em alta
Apesar de enfrentar dificuldades nos negócios no mercado interno e nos Estados Unidos, a Volkswagen continua com um bom desempenho no mercado chinês.
Segundo a empresa, o programa de corte de gastos, chamado de ForMotion, contribuiu para os resultados de 850 milhões de euros nos primeiros nove meses e deve fechar o ano com mais de 1 bilhão.
O programa de redução de custos, que inicialmente previa um corte de 2 bilhões de euros em 2004, foi ampliado para uma economia de 4 bilhões de euros até o final de 2005.
As ações da Volkswagen também continuam com um bom desempenho na Bolsa de Valores de Frankfurt: nesta quinta-feira a ação estava sendo cotada a 35,80 euros, uma alta de 4,5%, colocando a Volkswagen em primeiro lugar no ranking das ações mais valorizadas no mercado financeiro alemão.
Congelamento de salários
Nessa quinta-feira continuam as conversas entre a diretoria da Volkswagen e o sindicato que representa os funcionários, que ameaçam entrar em greve se não houver aumento de salários.
A Volkswagen propôs um congelamento de salários por dois anos em suas seis plantas na Alemanha e disse que 30 mil vagas poderiam ser fechadas caso não haja corte de gastos.
As leis trabalhistas alemãs são constantemente criticadas por frear o crescimento econômico, já que os custos com os trabalhadores estão entre os mais altos da Europa.
O sindicato não acredita que vá haver avanços nas negociações dessa quinta-feira.