21 de setembro, 2004 - 20h00 GMT (17h00 Brasília)
O Federal Reserve (Fed), banco central americano, anunciou nesta terça-feira um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros dos Estados Unidos, que passa a ser de 1,75% ao ano.
O aumento é o terceiro anunciado pelo Fed em 2004 e já era esperado como mais uma medida do banco central americano para reforçar a tendência dos últimos meses de pôr um freio na economia.
O Fed já havia sinalizado a perspectiva de alta nos juros desde que a taxa atingiu recordes históricos de baixa em 2001, quando a economia dos Estados Unidos sofreu o impacto dos ataques do 11 de Setembro.
No início do mês, o presidente do Fed, Alan Greenspan, disse ao Congresso americano que a economia nacional "recuperou alguma tração" depois de registrar um "período frágil" no início do ano.
Volta ao normal?
O comitê do Fed responsável pelas decisões sobre a taxa de juros também já havia indicado que o índice estava muito baixo para o estado da economia.
Um total de 13 reduções entre janeiro de 2001 e junho de 2003 chegou a empurrar a taxa de juros para 1% ao ano, o índice mais baixo em meio século.
Apesar da redução de quase 1 milhão no número de empregos nos Estados Unidos desde 2001, os últimos indicadores sobre novas vagas de trabalho apontam uma recuperação.
A produção industrial está em alta e a inflação permanece sob controle, apesar do preço do barril de petróleo ter ultrapassado a marca de US$ 40.
"O objetivo número 1 do Fed é apenas remover alguns dos estímulos desnecessários", afirma o economista Richard Yamarone, da consultoria Argus Research Corp.
Tradição
Até o final do ano, o Fed terá ainda o desafio de superar o período conturbado que normalmente cerca as eleições presidenciais, marcadas neste ano para 2 de novembro.
Para preservar sua independência, o banco central americano costuma evitar alterações na taxa de juros muito perto de uma eleição, com o objetivo de neutralizar críticas sobre uma possível influência no resultado da votação.
No entanto, a recente necessidade do Fed de recolocar a taxa de juros em uma posição mais "neutra" entra em conflito com essa tradição.
"Após o aumento desta terça-feira, não será mais possível avaliar que o Fed nunca contrai (a economia) tão em cima de uma eleição", disse o economista Lou Crandall, da consultoria RH Wrightson e Associados, em Nova York.