07 de setembro, 2004 - 07h51 GMT (04h51 Brasília)
A empresa aérea Alitalia está enfrentando oposição de sindicatos para um plano de reestruturação que cortaria o número de seus empregados em 25%.
Isso representaria a perda de 5 mil empregos. Os sindicatos devem se reunir nesta terça-feira para discutir a proposta da Alitalia.
A proposta foi anunciada no fim da noite de segunda-feira, no momento em que a empresa aérea estatal luta para não entrar em concordata.
Os sindicatos se dividiram: alguns pediram mais negociações, enquanto outros optaram por greves.
Sem dinheiro
A Alitalia precisa do apoio dos sindicatos até 15 de setembro, ou não vai conseguir se qualificar para um empréstimo público de US$ 482 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhão).
A empresa foi avisada de que seu dinheiro acabará até o fim do mês se o pacote de ajuda for rejeitado.
O ministro da Indústria da Itália, Antonio Marzano, disse que não há alternativa a não ser aprovar o plano, acrescentando que as regras da União Européia determinam que o Estado tem poderes limitados para ajudar neste caso.
O comissário de transporte da União Européia, Loyola de Palácio, alertou que qualquer injeção de dinheiro do Estado sob um acordo no qual o governo permanece como acionista majoritário será rejeitada pelo comissão.
Divisão
De acordo com o plano, a Alitalia seria dividida e daria origem a duas empresas, a AZ Service e a AZ Fly. O objetivo seria apresentar um lucro de 1,03 bilhão de euros (cerca de R$ 3,6 bilhões) até 2008.
A AZ Fly cuidaria das atividades de transporte aéreo, com 7,8 mil funcionários, e a AZ Service ficaria encarregada dos negócios em terra, com 8,5 mil empregados.
Fabrizio Solari, secretário-geral da CGIL, um dos nove sindicatos envolvidos em conversações com a Alitalia, disse esperar que haja mais negociações.
"Queremos sair desta situação, mas há muito o que trabalhar sobre esta proposta", disse.
A negociação das ações da empresa aérea foi suspensa no fechamento da Bolsa de Valores de Milão na segunda-feira. As ações da companhia fecharam com uma alta de 4%.