28 de julho, 2004 - 14h10 GMT (11h10 Brasília)
As autoridades russas ordenaram nesta quarta-feira que a gigante do ramo do petróleo Yukos suspenda a venda do produto, de acordo com informações divulgadas pela própria companhia.
Oficiais de justiça afirmaram que as vendas devem ser interrompidas nas principais unidades de produção da Yukos. A empresa produz 1,7 milhão de barris de petróleo por dia - o que representa 20% da produção russa.
A iniciativa deve acelerar o colapso da empresa, que deixou de pagar US$ 3,4 bilhões em impostos.
As operações com as ações da Yukos foram suspensas temporariamente em Moscou. Os papéis haviam sofrido uma desvalorização de 16% depois que a ordem das autoridades veio a público.
'Mal interpretadas'
O diretor executivo da companhia, Stephen Theede, disse que a mensagem pode ter sido mal interpretada.
"Não me parece lógico que os oficiais de justiça ajam para parar imediatamente a produção", disse Theede em Nizhnevartosk, na Sibéria.
"Nós não temos escolha a não ser fazer o que os oficiais de justiça nos disseram, mas às vezes é uma questão de interpretação", afirmou Theede.
De acordo com agências de notícias, o Ministério da Justiça disse à Yukos para parar de vender propriedades - uma proibição, na prática, à venda de petróleo.
As unidades da Yukos, "na prática, serão forçadas a suspender a produção e entrega de petróleo porque foram proibidas de vender parte ou toda a sua propriedade. Isso significa realizar entregas de petróleo", disse uma carta a executivos da companhia, segundo agências de notícias.
Um porta-voz da empresa advertiu que se o processo for interrompido, todas as atividades da empresa também acabarão cessando, o que "levará ao desemprego de 15 mil empregados da companhia". O Ministério da Justiça, no entanto, rejeitou a afirmação.
"Eu estou anunciando oficialmente que a companhia não terá problemas, inclusive no pagamento de salários, como resultado de um congelamento de suas contas", disse o ministro da Justiça, Yury Chaika, citado por agências de notícias russas.
Sem impacto
A ordem aparentemente não teve nenhum impacto em acordos para o transporte de petróleo cru e derivados a partir do Mar Negro e do Báltico, de acordo com corretores do setor citados pela agência de notícias Reuters.
A empresa disse que não pode pagar os impostos que deve relativos a 2000 porque suas contas e seus bens foram congelados.
O ex-diretor executivo da Yukos, Mikhail Khodorkovsky – um dos "oligarcas" ou russos bilionários que se beneficiaram da privatização de empresas estatais depois da desintegração da União Soviética – está preso e responde a acusações relativas a fraude e sonegação de impostos.
A escolha da Yukos e de Khodorkovsky é vista por alguns setores como parte de uma iniciativa do Kremlin para puni-lo por financiar partidos de oposição.