15 de julho, 2004 - 20h59 GMT (17h59 Brasília)
O bilionário russo Mikhail Khodorkovsky é o chefe de "um grupo criminoso" que tinha o objetivo de roubar propriedade estatal, segundo disseram os promotores durante o julgamento dele.
A promotoria começou hoje as acusações contra Khodorkovsky, que está sendo processado por fraude e evasão fiscal.
Khodorkovsky é presidente da empresa de petróleo Yukos e está sendo julgado junto com Platon Lebedev, que é sócio da empresa.
Se condenados, os dois podem ser sentenciados a até dez anos de prisão. Ambos se declararam inocentes das acusações.
Negócio arriscado
Segundo a promotoria, o império empresarial de Khodorkovsky – que fez dele o homem mais rico da Rússia – é pouco menos do que uma "operação de gângsters".
O centro do processo está na privatização da empresa de fertilizantes Apatit, em 1994, que foi comprada por Lebedev e Khodorkovsky por US$ 283 milhões.
A acusação alega que os dois usaram de subterfúgios na compra da Apatit e que eles atrapalharam as tentativas oficiais de anular a venda.
Khodorkovsky faz parte dos chamados "oligarcas russos" e construiu seu império no processo apressado de privatização do início dos anos 1990, onde teria havido corrupção, segundo muitos argumentam.
O procurador Dmitry Shokhin disse ao tribunal que Lebedev tinha "comprado ações da empresa Apatit por meios criminosos, através da criação de uma rede de empresas, junto com Khodorkovsky e outros integrantes da Yukos".
"Em 1994, Lebedev entrou para o grupo de crime organizado liderado por Mikhail Khodorkovsky com o objetivo de comprar ações, através de burla, de grandes empresas russas no período da privatização", disse Shokhin.
Os amigos de Khodorkovsky, entre eles muitops liberais conhecidos, argumentam que o processo contra ele é político.
O governo está cobrando US$ 3,4 bilhões em impostos atrasados da Yukos.