14 de julho, 2004 - 12h25 GMT (09h25 Brasília)
O UFJ, quarto maior banco do Japão, confirmou nesta quarta-feira que planeja adquirir o controle do Mitsubishi Tokyo Finance Group (MTFG) para criar o maior banco do mundo.
Os ativos combinados das duas instituições teriam um valor estimado em 188 trilhões de ienes (US$ 1,74 trilhão ou R$ 5,25 trilhões) - maior do que os ativos do Citigroup.
Uma fusão seria parte do processo de reestruturação do frágil sistema financeiro japonês. De acordo com analistas, a iniciativa funcionaria como um plano de resgate do UFJ, após três anos de grandes prejuízos.
Em contrapartida, o MTFG – segundo maior banco do Japão – é um dos mais saudáveis do país. Em um comunicado, o grupo disse que ainda não recebeu qualquer aproximação do UFJ sobre a integração de negócios das duas instituições.
Economistas afirmam que, se a transação for concretizada, o novo banco conseguiria ganhar terreno na concorrência com o Mizuho Financial Group, atualmente o maior banco japonês, ao estimular a sua área de varejo.
Dívidas
O UFJ demorou para adotar medidas com o objetivo de se livrar de empréstimos de má qualidade.
O banco registrou prejuízos no último ano fiscal e, em junho, foi criticado pelo órgão japonês que regula o setor por ser "evasivo" durante a realização de inspeções.
Em maio, o UFJ registrou um prejuízo de 402,8 bilhões de ienes (US$ 3,7 bilhões ou R$ 11,2 milhões) e completou três anos consecutivos de perdas.
A dívida do banco com empréstimos de má qualidade cresceu para 3,95 trilhões (US$ 36 bilhões ou R$ 110 bilhões), um aumento de 6,5% em seis meses, e o presidente do UFJ anunciou que vai renunciar ao cargo.
As negociações para a fusão ainda vão começar, mas um executivo do UFJ revelou que os planos de venda das operações de administração de patrimônio para o Sumitomo Trust serão cancelados.
Logo após o anúncio do projeto de fusão, o Sumitomo ameaçou adotar medidas legais contra os planos do UFJ.
Recuperação
Os bancos japoneses têm enfrentado uma pressão crescente para liquidar ativos de menor importância com o objetivo de levantar dinheiro e se proteger da ameaça representada pelo empréstimos de má qualidade.
Essa tendência, no entanto, perdeu força com a recente onda de resultados positivos do sistema financeiro que pode ser interpretada como um sinal de que o período de acumulação de dívidas iniciado durante a década de 1980 pode estar próximo do fim.
As dívidas foram garantidas com ações e propriedades, que perderam valor durante a década de 1990.
Nos últimos anos, as dívidas dos bancos se tornaram um dos principais obstáculos para a recuperação do Japão, que possui a segunda maior economia do mundo.