14 de julho, 2004 - 15h02 GMT (12h02 Brasília)
Carolina Cimenti
de Bruxelas
O comissário para Agricultura da União Européia, Franz Fischler, propôs um corte de 37% nos subsídios que o bloco paga aos seus produtores de açúcar nos próximos quatro anos.
Com isso, a produção anual de açúcar da região, atualmente em 17 milhões de toneladas, deverá ser reduzida em 2,8 milhões de toneladas. O preço do produto também deve subir.
A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Europeu, que reúne chefes de Estado e governo do bloco.
Em comparação, o açúcar brasileiro já tem um preço bastante competitivo. Em 2008, com o aumento previsto no preço do açúcar da Europa, ele poderia passar a custar a metade do seu equivalente europeu.
No entanto, de acordo com Franz Fischler, a reforma do açúcar "não mudará em nada" a posição da União Européia nas negociações com o Mercosul.
"Diminuiremos os subsídios, mas continuaremos protegendo as nossas fronteiras contra a entrada do açúcar brasileiro. Se não fizermos isso, países pobres, como os africanos e caribenhos, perderão totalmente o mercado deles aqui na Europa, criando resultados nefastos para eles", explicou o comissário.
A União Européia é abastecida de açúcar pela produção interna, pela Índia e pelos países da África, do Caribe e do Pacífico. "Pretendemos manter a situação exatamente igual", informou Fischler.
Resposta
Mesmo sem poder exportar para a União Européia, o Brasil deve lucrar indiretamente com a redução dos subsídios.
Com maior competição entre os preços brasileiros e europeus, países que atualmente compram da União Européia poderão mudar de fornecedor, eventualmente comprando do Brasil.
A reforma do sistema de subsídios europeus deverá ser aplicada gradualmente a partir de 2005 até 2008.
Ela é uma resposta da União Européia à reclamação de países como Brasil, Austrália e Tailândia à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Esses países, grandes produtores de açúcar, reclamaram à organização da distorção do preço do produto internacionalmente por culpa dos atuais subsídios europeus.