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08 de julho, 2004 - 13h45 GMT (10h45 Brasília)

Índia aposta em crescimento para conter déficit

O novo governo de esquerda da Índia decidiu apostar no crescimento da economia – previsto para algo entre 7% e 8% do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano – para reduzir o déficit de 4,6% do PIB para 4,4% do PIB.

O orçamento publicado nesta quinta-feira pelo ministro das Finanças, Palaniappan Chidambaram, não prevê cortes de gastos, o que desagradou o mercado.

O governo quer expansão de gastos, aumento de impostos dos mais ricos para investir em educação e elevação do limite de participação de investidores estrangeiros em empresas do país.

O Índice Bombay da Bolsa de Valores fechou em queda de 2,3%. Os investidores não gostaram especialmente da criação de um imposto de 0,15% sobre transações financeiras.

Investimento

O governo também anunciou a criação de uma sobretaxa de imposto de 10% para as pessoas que ganham mais de US$ 19.230 (cerca de R$ 59 mil) por ano, além de um aumento de 2% na carga tributária, de forma geral.

O limite de participação de investidores estrangeiros em empresas de telecomunicações e outros setores foi aumentado de 49% para 74%. Em empresas de seguro e de aviação civil, o limite foi aumentado para 49%. O governo também cortou impostos incidentes sobre computadores.

"A chave para o crescimento é investimento. Público e privado. Nacional e estrangeiro", disse o ministro ao Parlamento.

Analistas do setor de alta tecnologia e de prestação de serviços à distância (outsourcing), que está vivendo período de grande expansão na Índia, prevêem que o setor deve se beneficiar ainda mais.

Defesa

No entanto, investidores acreditam que as medidas, de forma geral, devem ter pouca influência sobre aumento dos investimentos privados.

Chidambaram também anunciou a criação de programas para impulsionar a educação e os serviços de saúde, criação de empregos na área rural e na construção civil, além de expandir o saneamento público.

O governo prevê aumentar os gastos totais em US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 6,6 bilhões) no ano, em relação às despesas do último orçamento do governo anterior.

Os gastos militares também devem ser reforçados, com aumento previsto de quase 18% em relação aos tetos anteriores. No total, o orçamento militar ficará em US$ 16,73 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões).