03 de junho, 2004 - 20h56 GMT (17h56 Brasília)
A Enron, o conglomerado da área de energia que foi à falência nos Estados Unidos, está apresentando um plano de recuperação a um tribunal em Nova York, e a empresa pode ser ressuscitada com um novo nome dentro de poucas semanas.
O tribunal vai ouvir como a companhia planeja voltar ao mercado com dimensões mais modestas e possivelmente com o nome Prisma Energy.
Como Enron, a empresa chegou a ter 39 mil funcionários; como Prisma, ela terá 4,9 mil.
A direção da empresa vendeu dezenas de subsidiárias e desfez as complexas parcerias comerciais da Enron.
Credores, que perderam cerca de US$ 63 bilhões com a falência da empresa em dezembro de 2001, receberão até US$ 0,22 em dinheiro e ações da Prisma.
Se o plano for aprovado, o tribunal vai marcar uma data para que a Enron deixe de ser enquadrada nas normas de falência, o que pode ocorrer ainda neste mês.
Investigação
O surgimento da Prisma, se aprovado, representa o fim de anos de verdadeiro trabalho de detetive.
A empresa afirma que teve que se desfazer de 2,4 mil compromissos financeiros, dos quais 55 eram parcerias usadas para ocultar dívidas da companhia e criar a impressão de lucratividade.
A empresa afirma que gastou US$ 665 milhões durante a falência, em parte com advogados.
Ela se desfez de alguns de seus maiores bens - mais recentemente, de um oleoduto na América do Norte, vendido no mês passado por US$ 2,2 bilhões.
Com isso, a Prisma terá o controle de cerca de 25 companhias de energia e gás em várias partes do mundo.
A questão da falência corre em separado de outras ações judiciais, dirigidas contra alguns ex-executivos da companhia.
Vários deles são acusados de ter idealizado fraude sistemática na Enron e enfrentam investigações criminais e processos civis.