A Arábia Saudita, o maior produtor de petróleo do mundo, afirmou que vai tomar medidas para conter o aumento gradativo dos preços do produto no mercado internacional, que chegaram ao seu nível mais alto dos últimos 13 anos.
Depois de reunião com o presidente americano, George W. Bush, na Casa Branca, o embaixador da Arábia Saudita em Washington, o Príncipe Bandar Bin Sultan, disse que seu país não vai permitir escassez do produto no mercado.
Anteriormente, Bush havia manifestado desapontamento com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de reduzir a produção em um milhão de barris por dia.
O preço dos combustíveis nos Estados Unidos é o mais alto desde a década de 80 e a questão está ganhando espaço na campanha para as eleições de novembro no país.
Os Estados Unidos são o maior importador mundial de petróleo bruto.
Corte
Na quarta-feira, a Opep decidiu levar adiante um plano de corte de produção que pode levar a um forte aumento do preço do petróleo.
Os ministros do cartel reunidos em Viena concordaram em "fechar as torneiras" a partir desta quinta, 1º de abril. A produção terá uma diminuição de 4%, ou 1 milhão de barris de petróleo por dia.
Muitos países da Opep, entre eles a própria Arábia Saudita, acham que o corte na produção é necessário para compensar o prejuízo que tiveram com a queda do valor do dólar.
Na terça-feira, o preço do barril de petróleo negociado em Londres subiu de US$ 31,13 para US$ 31,70. Analistas afirmam que o corte na produção poderia levar a valores recordes, superiores aos US$ 40 o barril.
A perspectiva de aumento no preço do petróleo poderia elevar a pressão inflacionária sobre a economia de vários países, entre eles o Brasil.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o alto preço do petróleo tem se tornado um dos temas de debate nas eleições presidenciais.
O pré-candidato da oposição democrata, John Kerry, afirma que o presidente George W. Bush não está fazendo nada para diminuir o preço mundial do petróleo.
Os preços atingiram recentemente o seu pico mais alto no território americano desde os anos 1980.
Os cortes de produção no mês de abril foram acertados pela Opep em fevereiro, numa reunião em Argel.
O plano, porém, não tinha apoio unânime. Ministros do Kuwait e dos Emirados Árabes Unidos disseram que preferiam um adiamento do corte de produção para permitir um alívio na alta dos preços.
Já o Irã, por outro lado, argumentava que era tarde demais para mudar os planos de redução de produção.
A diferença de opiniões entre os países da OPEP é um sinal de que Washington tem concentrado seus esforços diplomáticos para conseguir preços mais baixos sobre o Kuwait e os Emirados Árabes.