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Produtores de vinho da França protestam contra o governo

Produtores de vinho franceses declararam guerra contra uma lei que restringe o anúncio de bebidas alcoólicas.

De acordo com os produtores, a 'bebida oficial' francesa não deve ser tratada como qualquer outra, mas como parte importante do caráter nacional.

"O vinho é uma parte importante de nossa cultura", afirmou Xavier Carreau, presidente da organização Vinho e Sociedade, que representa os profissionais do ramo. "Ele tem uma certa nobreza."

Os produtores, que enfrentam uma queda nas vendas, conversaram com o primeiro-ministro Jean Pierre Raffarin para pedir que o vinho não seja incluído na lei que proíbe comerciais na televisão e reduz os anúncios impressos.

Campanha

"Enfrentamos uma crise", disse Guillaume Willette, da Associação de Vinhos de Burgundi. O vinho é parte de nossa cultura e este é um debate sobre o papel do vinho na sociedade francesa."

O governo tem se recusado a mudar de opinião, ressaltando o sucesso de sua campanha contra abuso alcoólico, em particular entre motoristas, em vigor desde o ano passado.

De acordo com o governo, o índice de mortes nas estradas diminuiu em mais de 20% em 2003, mas ainda permanece um dos mais altos da Europa.

Na quarta-feira, mais de 2 mil produtores de vinho marcharam na região de Burgundi, exigindo mudanças na lei.

Crise

Alguns carregavam cartazes dizendo "não somos traficantes, não somos assassinos".

A venda de vinhos está em recessão tanto no mercado interno quanto no externo.

Um dos fatores apontados para justificar a queda é a crescente competição dos produtores de Estados Unidos, Austrália e América do Sul.

Alguns produtores também culpam um boicote de americanos a produtos franceses, por causa da posição contrária à guerra adotada pela França.

Nem todos concordam, no entanto, com o que os produtores franceses têm afirmado.

"Ninguém está acima da lei", afirmou um comunicado da Associação Nacional para Prevenção do Vício e Alcoolismo.