O Japão fechou um acordo estimado em US$ 2 bilhões (cerca de R$ 5,8 bilhões) para explorar o campo de petróleo de Azadegan, no Irã, um dos maiores do Oriente Médio.
Pelo acordo, o Japão terá direitos totais de desenvolvimento da parte sul de Azadegan. Estima-se que o campo tenha reservas de 26 bilhões de barris de petróleo.
O Japão depende de importações para cobrir a maior parte de suas necessidades em termos de energia e quer diversificar suas fontes.
O acordo foi discutido durante três anos e seu fechamento foi atrasado por causa das preocupações dos Estados Unidos, que temem a existência de planos iranianos para desenvolvimento de armas nucleares.
O porta-voz do Departamento de Estado americano, Richard Boucher, disse que estava ''decepcionado'' com o fato de o acordo ter sido fechado.
''Estamos preocupados com a questão. Nossa política a respeito do Irã é de oposição a qualquer investimento relativo a petróleo naquele país'', teria dito Boucher à agência de notícias japonesa Kyodo.
O projeto é o maior assinado entre o Irã e um outro país desde a Revolução Islâmica de 1979.
O governo japonês terá 75% dos lucros conseguidos com o campo de petróleo e o Irã deve ficar com os 25% restantes.
Consumidor
O Japão vinha tentando fechar o acordo para o desenvolvimento do campo de Azadegan não apenas para atender suas necessidades, mas também para reduzir sua dependência da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, que fornecem cerca de 66% das importações de petróleo do Japão em 2001.
As negociações com o Irã pareciam ter sido paralisadas em julho de 2003, quando o governo americano, que afirmou que o Irã fazia parte do ''eixo do mal'' por causa de seu programa nuclear, criticou o governo japonês por estar negociando com aquele país.
As negociações teriam sido retomadas depois que o Irã concordou com inspeções em suas instalações nucleares ainda em 2003.
''O Japão é o segundo maior consumidor de petróleo do mundo e o Irã é o segundo maior produtor de petróleo da Opep, então somos os dois lados da mesma moeda'', afirmou o ministro do Petróleo iraniano, Bijan Zanganeh.
Segundo informações, um consórcio que tem o apoio do governo do Japão pretende iniciar a produção no campo de Azadegan em 2006.