O conselho de acionistas da Disney rejeitou por unanimidade a proposta de compra da empresa por US$ 54 bilhões (cerca de R$ 157 bilhões) feita pela operadora americana de internet e televisão a cabo Comcast.
Apesar de ter sido alvo de várias críticas ultimamente, o presidente da Disney, Michael Eisner, recebeu o apoio dos acionistas.
O conselho disse que está aberto a avaliar "propostas sérias" que agreguem valor às ações, mas argumentou que a proposta da Comcast é muito baixa.
Segundo os conselheiros, a proposta não é de interesse dos acionistas.
Valor incerto
A Comcast, para quem a resistência dos acionistas já era esperada, o valor oferecido é substancial.
"Ainda acreditamos que a nossa proposta de fusão representa uma proposta sólida e irrecusável para os acionistas das duas empresas", disse a companhia em um comunicado.
Um dos problemas da transação é que, pela proposta da Comcast, a oferta de fusão é inteiramente financiada pelas ações da operadora de TV a cabo. Os papéis da empresa na bolsa, no entanto, caíram desde o anúncio da oferta.
No dia que a proposta veio a público, em 11 de fevereiro, as ações oferecidas pela Comcast à Disney valiam US$ 54 bilhões. Mas, com a desvalorização na bolsa, na prática, o valor chegou a cair para US$ 48 bilhões na sexta-feira.
Para o conselho da Disney, essa depreciação é muito significativa.
Além da queda nas ações da Comcast, as ações da Disney se valorizaram, o que dificulta ainda mais um acordo.
As ações da Disney fecharam na semana passada a US$ 26,92, quase US$ 4 a mais do que o valor feito na avaliação da oferta da Comcast.
Segundo a Comcast, o valor oferecido é justo, pois as ações da Disney vinham sofrendo uma depreciação antes do anúncio da proposta.
Além disso, de acordo com analistas de mercado, a Comcast não tem pressa e suas ações ainda podem se valorizar de novo, o que aumentaria o seu poder de compra.
Questões internas
Enquanto já era esperado que a proposta não fosse aceita, o apoio dos acionistas da Disney ao presidente Eisner surpreendeu.
Ele vinha sendo alvo de críticas nas últimas semanas. Eisner vem sendo acusado de não entender bem o negócio de desenhos animados e de ter gasto muito dinheiro na compra de parques temáticos, área na qual a empresa tem apresentando resultados ruins.
Apesar disso, o conselho reiterou a "confiança no comando empresarial, financeiro e criativo de Michael Eisner e sua equipe".
Eisner ganhou destaque por ter transformado a Disney de um estúdio cinematográfico em uma companhia de entretenimento.