O governo da China anunciou nesta terça-feira que a economia do país cresceu 9,1% no último ano – a mais alta taxa desde 1997 e que representa mais do que o previsto por analistas.
No último trimestre de 2003, a taxa de crescimento chegou a 9,9%, indicando uma rápida recuperação após o medo entre investidores gerado pela epidemia da pneumonia conhecida como Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave, na sigla em inglês).
Analistas atribuem boa parte do crescimento a investimentos estrangeiros, ao comércio externo e ao aumento do consumo interno. Para 2004, as autoridades chinesas esperam um crescimento de cerca de 7%, um número que muitos economistas acreditam que será superado.
A performance da China faz do país o que apresentou a maior taxa entre as grandes economias mundiais, superando os Estados Unidos, que cresceram 8% em 2003, e o Japão.
Mudança de política
A política de reforma de mercado imposta pelo Partido Comunista, que governa o país, transformou a China de uma economia essencialmente rural, há 25 anos, para uma base industrial global.
Os investimentos estrangeiros dispararam desde que o país abriu seus mercados e se tornou membro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2002.
Muitas empresas multinacionais entraram no país de olho no potencial de seu enorme mercado consumidor e da grande oferta de mão-de-obra barata.
A produção industrial do país saltou 17% no ano passado e o comércio cresceu 9,1%. Mas o analista Li Deshui, diretor do serviço de estatísticas oficial da China, alerta para o superaquecimento da economia em algumas regiões do país.
Além disso, existe o temor de que os investimentos realizados pelo governo em empresas estatais, para evitar o corte de empregos, possa ameaçar a estabilidade bancária do país.
"No entanto, não há necessidade de pisarmos no freio", afirmou Deshui.