O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi disse neste sábado que o seu governo vai intervir para evitar a falência da principal empresa alimentícia da Itália, a Parmalat.
As ações da empresa despencaram na sexta-feira depois do anúncio de que há um rombo de US$ 4,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões) em suas contas.
"O governo vai intervir para garantir os empregos da empresa", disse o primeiro-ministro, que não deu detalhes sobre as medidas a serem tomadas.
A Parmalat emprega cerca de 35 mil pessoas em 30 países.
Os promotores italianos estão investigando as suspeitas de fraude na firma.
Mais controle
Berlusconi prometeu ainda aumentar o controle do Estado para evitar irregularidades fiscais.
"O sistema de controles que herdamos mostrou não funcionar, então, o governo vai ter que invervir para aumentar a confiança e também a reputação do país", afirmou o líder.
O caso já está sendo comparado aos escândalos contábeis nos Estados Unidos que terminaram com o colapso de empresas como a Enron e WorldCom há cerca de dois anos.
Segundo o Bank of America, os documentos relativos à conta bancária da unidade Bonlat, nas Ilhas Cayman, não seriam autênticos.
A Parmalat dizia que a unidade mantinha os recursos em caixa.
Ainda não está claro se as informações sobre a Bonlat foram falsificadas deliberadamente ou se foi apenas um engano.
Reunião
O recém-nomeado presidente da Parmalat, Enrico Bondi, chamou o conselho administrativo da companhia para uma reunião emergencial nesta sexta-feita.
Bondi, que substituiu Calisto Tanzi, fundador da Parmalat, nesta semana, já enfrenta boatos de que seria demitido.
A empresa sofre uma crise de falta de liquidez e ameaça não pagar suas dívidas com investidores e fornecedores.
As ações da companhia caíram mais de 40% na Bolsa de Milão.
A maioria dos bancos italianos está exposta à Parmalat, significando que, se a companhia falir, poderá ocorrer um colapso financeiro de grandes proporções no país.
Esta é a pior crise da empresa em seus 40 anos de história.