O poder de fogo das redes de distribuição internacionais pode anular parte de concessões tarifárias para exportações agrícolas dos países em desenvolvidos, indica um estudo da Unctad – Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento.
Segundo o estudo, a internacionalização de grandes redes de supermercados vão influenciar cada vez mais a competitividade e as exportações agrícolas dos países em desenvolvimento.
Para a entidade, a expansão global das grandes redes de distribuição lhes proporciona um tal poder de compra que elas podem impor condições e preços favoráveis sob as mais diversas formas.
A Unctad prevê que agricultores precisarão fazer fortes investimentos para atender novas exigências que vão da característica dos produtos até o processo de produção, com "gastos irrecuperáveis e aumento dos custos das transações".
A mensagem é clara: países como o Brasil devem lutar tanto pela redução de tarifas nas nações industrializadas como por condições comerciais efetivas de entrada nesses mercados.
O estudo confirma que as grandes redes internacionais de supermercados tiveram uma expansão espetacular na América Latina. As multinacionais representam entre 70% e 80% das cinco primeiras redes de supermercados na região.
O francês Carrefour é número um na distribuição na América do Sul, graças a sua expansão no Brasil e na Argentina. Nesses países, segundo o estudo, os supermercados asseguram 72% e 80%, respectivamente, das vendas nacionais de produtos alimentares.
O estudo mostra também a contribuição dos serviços de distribuição de produtos alimentares sobre o valor agregado total.
Nos Estados Unidos, 77% do custo total da comercialização de produtos agrícolas internos é devido à logística (distribuição, embalagem, transporte) e 23% à remuneração bruta do agricultor.
No caso de produtos importados de países em desenvolvimento, mais de 90% do valor pago pelos consumidores permanecem no país importador.