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Fracasso da Alca aumenta procura por acordos bilaterais, dizem especialistas

O fracasso das negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) na reunião de Miami pode significar o acirramento da disputa por acordos bilaterais, um campo que o Brasil abandonou nos últimos anos para privilegiar as negociações multilaterais.

Na avaliação da coordenadora da Unidade de Integração Internacional e da Unidade de Negociações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Soraya Rosar, esse seria o pior dos mundos.

“Um país como o Brasil dificilmente teria como se beneficiar de acordos desse tipo”, avalia Soraya. “A polarização é bem maior”, afirma.

Além disso, o Brasil entraria atrasado nessa corrida, porque vários países já têm acordos mais adiantados com os Estados Unidos e com o Nafta, o bloco que inclui também Canadá e México.

Mercados pequenos

O professor da USP Marcos Jank, especialista em comércio internacional, também acha que o Brasil sairia perdendo se deixasse as negociações da Alca para entrar em negociações paralelas.

Nos últimos anos, enquanto o México negociou 30 acordos de livre comércio e o Chile negociou oito, o Mercosul fez acordos apenas com o Chile, a Bolívia e este ano com o Peru, países que agregam mercados pequenos ao bloco.

“Para ganhar alguma coisa em termos de comércio o Brasil teria que se integrar com os Estados Unidos, com a União Européia, a Índia, com a China”, afirma Jank.

Para alguns analistas, a criação da Alca representa o fim do Mercosul. Outros argumentam que o Mercosul pretende ser – embora ainda não seja, na prática – um mercado comum, o que é muito mais do que uma zona de livre comércio e por isso não será engolido pela Alca.

A verdade é que apesar de toda a proclamada integração entre os quatro países do Mercosul, o Brasil exportou para Argentina, Uruguai e Paraguai, no ano passado, apenas 5% do total das vendas externas, pouco mais de US$ 3,3 bilhões.

Este ano, com a recuperação das economias da região, as vendas cresceram um pouco, e já somam US$ 3,8 bilhões no acumulado até setembro. Ainda assim, devem somar pouco mais de 5% do total.

Já os 34 países que comporiam a Alca, juntos, recebem 45% das exportações brasileiras.