A agência de risco Fitch Ratings elevou nesta quinta-feira a classificação do Brasil no seu ranking de risco.
A classificação do Brasil passou de "B" para "B+" e a perspectiva para o país é "estável", na avaliação da agência.
A mudança reflete "a melhora do desempenho da economia do país e o marco de sua política macroeconômica", disse a Fitch.
Em nota distribuída nesta quinta-feira, a agência diz acreditar que o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciado na quarta-feira "demonstra o compromisso das autoridades brasileiras com a política fiscal apropriada e sinaliza a intenção do FMI de ajudar a isolar financeiramente o Brasil de choques externos a médio prazo."
Fundamentos
A agência destaca a melhora do balanço de pagamentos do Brasil, o que deve aliviar o peso da dívida externa.
A diversidade do mercado para exportações reforça a posição do país e a Fitch prevê um possível superávit em conta corrente para este ano de quase US$ 3 bilhões, o primeiro resultado positivo desde 1993.
No entanto, uma recuperação da demanda doméstica em 2004 pode levar à volta do déficit, de acordo com a agência.
Isso, combinado com amortizações externas de US$ 36,9 bilhões no próximo ano, deve resultar em alta necessidade de financiamento externo. A Fitch prevê que chegue a 52% das receitas externas correntes, considerada elevada, mas ainda assim abaixo dos 11% registrada em 1999.
O fluxo de capitais externos para o país também melhorou e a média de rolagem das amortizações de dívida de longo e médio prazo está em 85% até setembro, de acordo com cálculos da agência. Esse seria o percentual necessário para manter estáveis as reservas.
Dúvidas
Apesar de ressaltar a melhora, a Fitch aponta algumas dificuldades.
Entre elas, os reajustes superiores a 9% dos salários na iniciativa privada, que sugerem que a "indexação para trás poderia desacelerar o progresso na redução da inflação e, portanto, o afrouxamento monetário (redução de juros) futuro".
Esses acordos salariais também podem aumentar as pressões por reajustes no setor público em 2004, segundo a agência.
A Fitch também chama a atenção para o fato de que as sobras em relação à meta de superávit primário (resultado das contas públicas que exclui receitas e despesas financeiras) vêm caindo.
A agência alerta ainda para as dificuldades de atingir a meta de superávit primário em 2004 se a atividade econômica não se recuperar.
Se esse cenário se confirmar, as autoridades teriam que atingir essa meta "em um ambiente de alto desemprego e expectativas de aumento de gastos sociais."