Um americano nascido na Rússia foi indicado para substituir o empresário Mikhail Khodorkovsky à frente da Yukos, a maior empresa de petróleo russa.
A Yukos disse que os seus diretores tinham escolhido o nome de Simon Kukes como presidente, no lugar de Khodorkovsky.
Kukes, de 56 anos, deixou a Rússia rumo aos Estados Unidos nos anos 70, mas acabou retornando ao país.
Khodorkovsky, o homem mais rico da Rússia, foi preso com base em acusações de fraude e sonegação de impostos.
Motivações políticas
Muitos russos acreditam que o caso de Khodorkovsky, que amealhou sua fortuna através de um processo controvertido de privatizações, nos anos 90, tem motivações políticas.
Ele fundou grupos de oposição política, rompendo o que analistas chamam de acordo tácito com o governo de manter-se longe da política, evitando que suas finanças fossem investigadas.
A investigação da Yukos e de seu ex-presidente espalhou receios de uma confrontação mais ampla entre o Kremlim e outros empresários de peso.
A indicação de Kukes acontece em seguida a uma insistente defesa, por parte do presidente russo, Vladimir Putin, do comportamento de seu governo durante a crise da Yukos.
Ele disse que a prisão de Khodorkovsky não era evidência de autoritarismo ou um sinal de que Moscou estava considerando a renacionalização de companhias estatais que foram privatizadas.
Putin disse que o caso Yukos dizia respeito ao cumprimento da lei.
"Não haverá retrocesso no processo de privatização ou revisão de seus resultados", disse ele. "Mas todos deveriam aprender a viver de acordo com a lei, a observar as lei de seu país".
Kukes comparou o destino de Khodorkovsky ao de empresários americanos presos nos últimos dois anos, numa referência ao caso Enron.