Com os preços das commodities (produtos que estão na base do processo de produção) disparando nos últimos meses, especialistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que está na hora de o governo brasileiro mudar a política econômica e aproveitar a situação.
Tanto o economista Walter Molano, da BCP Securities, baseado em Nova York, quanto Manoel Félix Cintra Neto, presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros, afirmam que este é o momento para o governo apoiar as exportações de produtos agrícolas.
"O governo tem que parar de perder tempo com os problemas da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) ou de subsídios europeus, e apoiar firmemente a abertura de novos mercados", afirmou Cintra Neto.
"Esse é um momento histórico, e uma janela não muito grande que pode se fechar a qualquer momento", disse Molano.
Juros
Para o economista, o Brasil deveria agora procurar uma taxa de crescimento mais forte e, segundo ele, o único setor que está fazendo isso é o de exportações, mas sem ajuda do governo.
"Acho que essa decisão de manter os juros altos, com a Selic em 20%, é errada", afirmou Molano.
Um índice da revista The Economist estima que o aumento médio no preço das commodities chega a 25% desde o começo do ano passado.
O termo commodity é usado pelos economistas para englobar desde produtos agrícolas até metais e artigos de consumo como o suco de laranja.
Os preços desses produtos são especialmente importantes para os países em desenvolvimento.
O Brasil, que é um dos maiores exportadores de soja do mundo, pode se beneficiar do aumento dos preços do produto em dólar.
Estima-se que hoje a soja custe 35% a mais do que no mês de julho, e, junto com outros produtos do tipo, está se tornando uma importante fonte de divisas para o Brasil.
Cintra Neto afirma que o aumento dos preços não é uma bolha de curto prazo e deve permancer por todo o ano que vem.