As duas maiores companhias aéreas asiáticas vão receber empréstimos de emergência milionários, concedidos pelo governo do Japão.
A Japan Airlines System (JAL) e a All Nippon Airways (ANA) devem receber um total de 85 bilhões de ienes (cerca de R$ 2,2 bilhões) em empréstimos.
O dinheiro deve ajudar as companhias aéreas a superar a retração no setor provocada pela epidemia do vírus da Sars (sigla em inglês para Síndrome Respiratória Aguda Grave) e pela guerra no Iraque.
O valor das ações das duas empresas subiu imediatamente após o anúncio.
Crise
Como muitas outras companhias aéreas ao redor do mundo, especialmente na Ásia, a JAL e a ANA registraram uma forte queda no número de passageiros no primeiro semestre do ano, embora o impacto do vírus da Sars no Japão tenha sido mínimo.
Há alguns meses, a JAL chegou a registrar um prejuízo diário de US$ 7 milhões (mais de R$ 20,2 milhões). Por isso, a companhia deve receber a maior parte do dinheiro emprestado pelo governo japonês – 70 bilhões de ienes.
A ANA, que depende menos do fluxo internacional de passageiros porque opera principalmente vôos domésticos, também registrou prejuízos no início deste ano e vai receber um empréstimo de 15 bilhões de ienes.
Essa não é a primeira vez que companhias aéreas japonesas recebem ajuda do governo. Grandes empréstimos também foram concedidos para ajudar as empresas a lidar com a crise no setor de aviação desencadeada pelos atentados de 11 de setembro de 2001.
Subsídios
Nos Estados Unidos, o governo americano também utilizou recursos federais para subsidiar as operações das companhias aéreas baseadas no país.
No entanto, a União Européia tem se esforçado para tentar convencer outros países a suspender a ajuda estatal à indústria da aviação e afirma que os subsídios distorcem a competitividade internacional.
Além disso, os governos do bloco europeu têm relutado em utilizar os seus recursos para ajudar as companhias aéreas locais.
Para alguns analistas, a postura européia é uma das razões por trás do anúncio da fusão da Air France com a holandesa KLM.
Sem a ajuda do Estado, as companhias aéreas são forçadas a cortar custos ou buscar fusões e alianças para sobreviver.