O presidente dos trabalhos da Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), Luis Ernesto Derbez, anunciou que o rascunho da Declaração de Cancún foi finalizado neste sábado.
O texto contempla todas as áreas discutidas no encontro incluindo a de agricultura, o principal ponto de discórdia entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento.
O rascunho prevê que os subsídios concedidos pelos países desenvolvidos ao setor de agricultura terão que ser eliminados gradualmente apenas para "produtos de especial interesse dos países em desenvolvimento".
O esboço do documento sugere também que uma lista destes produtos deve ser estabelecida em um período a ser negociado entre as partes.
A proposta fica muito aquém da ambição do G-21, grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil.
Reclamação
O G-21 esperava garantir a eliminação gradual dos subsídios à exportação dentro da atual rodada de liberalização do comércio prevista para terminar em 2004.
Mas o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, negou que o texto-base para a negociação seja uma derrota do G-21.
"O documento está muito longe de chegar onde desejamos, mas houve algumas aberturas", disse.
Amorim fez questão de ressaltar que se os avanços foram poucos, o texto ainda pode ser modificado para se tornar aceitável.
Já o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, foi menos diplomático. Ele achou o texto "ruim" e disse que "reflete o imperialismo do mundo lá fora".
Pelo menos no que diz respeito à questão dos subsídios à exportação, o rascunho está de acordo com as propostas até agora defendidas pela União Européia e pelos Estados Unidos.
Na sexta-feira, representantes europeus e americanos reclamaram por não receber dos países em desenvolvimento uma lista de produtos prioritários que segundo eles, haviam solicitados em repetidas ocasiões.
Neste sábado, o G-21 sofreu sua primeira "baixa": El Salvador saiu do grupo.
Em compensação, o bloco dos países em desenvolvimento ganhou a adesão da Nigéria.