Países africanos presentes na 5ª Conferência Ministerial da OMC (Organização Mundial do Comércio), em Cancún, formaram um grupo a fim de defender o tratamento diferenciado que seus produtos recebem nos países desenvolvidos.
A manobra é vista como uma reação aos temores de que uma eventual aprovação da proposta do Grupo dos 21, o G-21 (liderado pelo Brasil), ameace as vantagens hoje oferecidas aos países africanos.
O G-21 pede que países desenvolvidos, como os Estados Unidos e membros da União Européia, abram mais os seus mercados à importação de produtos agrícolas de países em desenvolvimento.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no entanto, procurou deixar claro que as propostas do G-21 e dos países africanos não são antagônicas.
Amorim, que chefia a delegação de negociadores brasileiros em Cancún, afirmou que intenção é "conversar com outros grupos, mostrar que nossos objetivos são compatíveis".
Ele levantou a possibilidade de incorporar algumas das reivindicações do grupo na proposta do G-21, como por exemplo, a manutenção de tarifa zero para seus produtos em mercados de países desenvolvidos.
O grupo africano, liderado pelo embaixador das Ilhas Maurício, são em sua maior parte, países com menos de US$ 1 mil em renda per capita.
Papel aberto
Amorim reconheceu a necessidade de garantir acesso aos países mais pobres e menos competitivos - um dos argumentos usados pelos negociadores da União Européia para tentar dividir o acesso a seus mercados em um grupo de países mais dependentes e outro, no qual se inclui o Brasil, de países com competitividade agrícola.
"São países de menor desenvolvimento relativo. A gente reconhece isso no Peru, caramba, não vai reconhecer no Burkina Farso!."
Para o chanceler brasileiro, a proposta apresentada pelo G-21 é aberta e pode acomodar algumas das preocupações dos países mais pobres, como o uso de salvaguardas para protegerem a sua produção da competição estrangeira.
"Combinamos que eles fariam um documento com as principais reivindicações deles e faríamos um grupo de contato."
Segundo Amorim, o grupo africano vê com "muita simpatia" o G-21, mas quer saber o que vai acontecer com as vantagens específicas nos mercados desenvolvidos que eles já têm.