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Baixa em moeda chinesa preocupa fabricantes dos EUA

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow, deve viajar à capital da China, Pequim, na próxima semana para expressar a visão do governo norte-americano de que a moeda chinesa, o iuan, estaria "perigosamente" subvalorizada.

Na quarta-feira, a Associação Nacional dos Fabricantes americanos (NAM, sigla em inglês) afirmou que o dólar vive uma sobrevalorização de 15%, e culpou principalmente o baixo iuan pela perda de empregos em indústrias do país.

A China sustenta uma taxa de câmbio de cerca de 8,3 iuans por dólar, taxa que, segundo a NAM, representa uma subvalorização de até 40%, dando aos exportadores chineses uma vantagem na competição internacional.

Vários economistas afirmam que a China deveria permitir a livre flutuação do iuan nos mercados internacionais ou, pelo menos, recalcular o seu valor com relação ao dólar americano.

Capital externo

Analistas dizem que o sinal mais claro da subvalorização do iuan está nas contas públicas chinesas.

O grande sucesso das exportações do país fez da China um pólo atraente para o capital externo.

Apenas em julho deste ano, as reservas chinesas em moeda estrangeira saltaram de US$ 10 bilhões para quase US$ 360 bilhões.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos começam a registrar um enorme déficit comercial e de conta-corrente com relação à China, algo que tem causado irritações em setores políticos de Washington.

A situação é parecida àquela vivida pelos americanos nos anos 80, quando uma posição semelhante com relação à economia do Japão deu início a uma onda de reclamações.

Desta vez, porém, o problema é mais amplo: embora a China seja o principal alvo das queixas, os fabricantes americanos falam o mesmo com relação à maioria das moedas asiáticas subvalorizadas.

Há poucos indícios de que um apelo de John Snow venha a fazer efeito sobre Pequim.

Dentro da China, quase não existem críticas ou comentários sobre a taxa de câmbio.

Na verdade, a maioria das empresas chinesas e políticos aprova o iuan barato, vendo isso como um elemento que ajuda o longo crescimento econômico chinês.

Apesar da crescente participação em organismos internacionais como a Organização Mundial do Comércio, a China ainda resiste em abrir mão do controle da sua política econômica.