A revisão dos contratos de concessão das empresas de telefonia não afastaria investidores internacionais se fosse feita de forma transparente, segundo a consultora para a América Latina Erica Eppinger.
“Se você muda as regras a cada seis meses, é um problema. Mas se for um processo claro, as empresas podem aprender como se comportar”, afirmou a economista da Yankee Group, uma das maiores consultorias de telecomunicações do mundo.
Eppinger considera o caso da privatizações brasileiras relativamente bem sucedido, mas alerta que faltou estímulo à entrada de novas competidoras no mercado, que acabou ficando concentrado.
O principal problema teria sido o fato de as empresas-espelho não terem conseguido assumir uma parcela significativa do mercado.
Segundo a consultora, isso se deveu em parte às vantagens oferecidas às concessionárias que assumiram o sistema de telefonia nacional, nos leilões de privatização das empresas, há cinco anos.
Chile
Para a especialista em América Latina, o Chile foi o país mais bem-sucedido nas privatizações dos sistemas de telefonia da região.
O sistema chileno foi baseado em uma abertura mais rápida do mercado, com a instituição de um teto de tarifas para a concessionária e a liberação de tarifas para as empresas que entraram posteriormente no país.
Eppinger ressalta, no entanto, que em um país maior, como o Brasil, não havia empresa que pudesse assumir todo o sistema Telebrás e que era necessário oferecer vantagens para que as empresas concessionárias "arrumassem a casa" antes de abrir o mercado.
Na opinião da especialista, o papel da Anatel, a agência reguladora do setor, deverá ser essencial a partir de agora para aumentar a competição.