A Força Aérea americana decidiu punir a montadora de aviões Boeing, acusando a empresa de espionagem industrial.
A Boeing já havia sido processada por uma de suas concorrentes, a Lockheed Martin, pelo roubo de cerca de 25 mil documentos secretos durante uma concorrência da qual participaram as duas empresas, em 1998.
Acredita-se que as informações ajudaram a Boeing a ganhar os contratos relativos a 21 dos 28 lançamentos de satélites militares previstos dentro de um programa da Força Aérea americana, o de Veículos de Lançamento Evoluídos Dispensáveis (EELV, na sigla em inglês). O programa envolve a construção de foguetes descartáveis para colocar os satélites em órbita.
Agora, o Pentágono decidiu afastar a Boeing de futuros projetos envolvendo foguetes espaciais e cancelou cerca de US$ 1 bilhão em contratos concedidos à empresa – que passarão à Lockheed Martin.
“Comportamento antiético”
“A Boeing cometeu violações sérias e substanciais da lei federal”, disse o subsecretário da Força Aérea americana, Peter Teets.
A empresa pediu publicamente desculpas pelo ocorrido e todos os 78 mil funcionários dos três departamentos envolvidos nos crimes estão sendo solicitados a sair da Boeing.
“Estamos profundamente decepcionados com as circunstâncias que levaram a esta ação do nosso cliente, mas entendemos a posição da Força Aérea dos Estados Unidos de que comportamento antiético não será tolerado”, disse Phil Condit, membro do conselho diretor da Boeing.
O Departamento de Justiça americano lançou um inquérito criminal para avaliar o caso, enquanto a Lockheed Martin ainda aguarda o resultado da ação que moveu contra a Boeing.