A maioria dos credores da falida Enron vai receber menos de 20% do que reclamam.
O plano de pagamento das dívidas da empresa energética americana foi acertado nesta sexta-feira em um tribunal especializado em companhias falidas.
A Enron, sediada em Houston, diz que os credores vão receber entre 14,4% e 18,3% do que haviam pedido.
O plano de reestruturação inclui uma proposta para separar a Enron em duas: uma para cuidar da rede interna americana e outra para chefiar as empresas subsidiárias internacionais.
Aprovação
Para ser implementado, o plano deve ser aprovado tanto pelo tribunal quanto pelos 20 mil credores da companhia.
A Enron faliu em dezembro de 2001, deixando dívidas de US$ 67 bilhões (cerca de R$ 180 bilhões) e escândalos corporativos. Naquela época, foi o maior caso de falência da História.
Milhares de funcionários perderam seus empregos e a maioria dos créditos de seus fundos de pensão.
Dezenas de milhares de acionistas ficaram sem nada.
A queda da Enron veio depois que rumores abalaram os mercados durante várias semanas.
Em outubro de 2001, a empresa finalmente admitiu suas falhas e revelou que a lucratividade e o patrimônio haviam sido inflados em balanços. Em dezembro do mesmo ano, foi decretada a falência.
Nos meses seguintes, investigadores começaram a desvendar uma rede de truques contábeis, lucros fantasmas, evasão de impostos e práticas dúbias da corporação.
Assim que a Enron começou a desmoronar, levou junto a empresa de auditoria Andersen, que quebrou ao redor do mundo entre alegações de ter ajudado a Enron a levar adiante seu esquema de fraudes.
Até agora, a investigação sobre os truques contábeis ainda não rendeu nenhuma condenação.
O ex-chefe financeiro, Andrew Fastow, foi acusado de 78 delitos entre lavagem de dinheiro, fraude, conspiração e obstrução da Justiça.
Mas nem o ex-chefe executivo Jeffrey Skilling nem o ex-presidente Kenneth Law, superiores imediatos de Fastow, foram acusados.
A companhia ainda enfrenta processos de ex-empregados e acionistas.
Divisão
Se o plano de reestruturação da Enron for aprovado, a companhia vai se dividir em duas firmas distintas.
Uma delas será a Cross Country Energy Corporation, que vai cuidar dos negócios domésticos, principalmente da manutenção de três linhas de gás.
A outra empresa é chamada provisoriamente de International Co. e vai ficar encarregada de 19 subsidiárias em outros países.
Um pequeno número de credores, com "reclamações prioritárias", vai receber tudo o que pediu; aconistas não vão receber nada.
Com as causas que ainda estão pendentes e os esperados argumentos contra os termos da reorganização, um plano final sobre como a Enron vai se avançar ainda parece estar muito longe.
E a empresa já não ostenta o título de maior falência da História.
A gigante de telecomunicações WorldCom que, entre outras, controla a brasileira Embratel, quebrou em julho de 2002 deixando US$ 70 bilhões (aproximadamente R$ 200 bilhões) em dívidas.