O Escritório de Avaliação Independente (IEO, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que existem "sérias questões" sobre o papel do organismo na crise da Argentina.
"O colapso do regime de conversibilidade e as conseqüências sociais e econômicas associadas a isso, certo ou errado, tiveram um custo para a reputação do FMI", diz o IEO, que está investigando o papel da instituição na crise da Argentina.
O IEO deve concluir e publicar os resultados da investigação no fim do primeiro trimestre de 2005, de acordo com informações de Isabelle Mateus y Lago, auditora do escritório, à agência de notícias EFE.
Segundo analistas, a decisão do FMI de investigar o próprio papel na crise econômica de um país é muito rara.
Críticas
Na segunda-feira, o IEO publicou um documento em que especifica quais as perguntas que pretende responder com a investigação.
Segundo o documento, a responsabilidade pela política econômica de um país membro do FMI é das autoridades nacionais.
No entanto, o IEO observa que, desde a crise da Argentina, muitos observadores levantaram questões sobre a efetividade e a qualidade da assessoria financeira e política prestada pelo FMI.
"Alguns críticos argumentam que a maior falha do FMI foi a de fornecer financiamento demais sem requerer ajustes suficientes de política, enquanto outros alegam que as políticas recomendadas pelo FMI na verdade contribuíram para a crise", diz o texto.
Papel
O IEO observa que a economia argentina entrou em uma crise econômica "devastadora" em dezembro de 2001.
"Esses eventos levantam sérias questões para o FMI, porque aconteceram enquanto as políticas econômicas do país estavam sob escrutínio de perto por um programa apoiado pelo FMI", diz o documento.
"Mais ainda, o FMI tinha trabalhado de forma contínua com a Argentina desde 1991, quando o Plano de Conversibilidade fixou a paridade cambial com o dólar", acrescenta.
O FMI concedeu linhas de crédito ao governo - comandado por Carlos Menem, que foi presidente da Argentina de 1989 a 1999.
Os programas do Fundo incluíam condições que deveriam melhorar as condições econômicas do país.
Entre 1991 e 2002, o FMI enviou 50 delegações de economistas para assessorar as autoridades argentinas.