19 de janeiro, 2007 - 12h37 GMT (10h37 Brasília)
O ator americano Robert Redford afirmou que os líderes dos Estados Unidos precisam pedir desculpas pela operação no Iraque.
O ator falou na sessão inaugural do Festival de Cinema Sundance, em Utah, onde o filme de abertura relembrou os protestos contra a Guerra no Vietnã, em 1968.
Redford disse que ele, como muitos outros, mostrou um "espírito de união" com o governo dos Estados Unidos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.
"Colocamos todas as nossas preocupações de lado para deixar que os líderes liderassem. Acho que nos devem um grande, enorme pedido de desculpas", disse.
O ator, cujo Instituto Sundance para o Filme Independente organiza o festival anual, geralmente fica longe de mensagens políticas em seu discurso de abertura no evento.
Animação
O longa que abriu o festival, Chicago 10, reconta as manifestações cercando a Convenção Nacional dos Democratas em 1968, em que manifestantes enfrentaram a Guarda Nacional dos Estados Unidos.
Usando uma moderna mistura de imagens históricas e animação, o diretor Brett Morgen examina o julgamento dos famosos "Sete de Chicago", que foram condenados por incitar os choques.
Morgen, que subiu ao palco para ser aplaudido de pé depois da exibição do filme, disse que um de seus objetivos ao realizar o longa era "mobilizar a juventude do país para sair de casa e parar com esta guerra".
O longa de Morgen é um dos muitos que participam de Sundance em 2007 a fazer referências à guerra no Iraque.
Ghosts of Abu Ghraib ('Fantasmas de Abu Ghraib', em tradução livre) tem como assunto os abusos que ocorreram na prisão iraquiana em 2003.
No End In Sight ('Sem Fim à Vista', em tradução livre) é um exame da conduta do governo de George W. Bush no país.
Tabu
A programação do festival para 2007 gerou polêmica com a inclusão de filmes que incluem conteúdo sexual chocante.
Um documentário chamado Zoo fala sobre a prática de bestialidade.
E o drama Hounddog retrata o estupro de uma menina, interpretada pela atriz de 12 anos Dakota Fanning.
"Estas são questões que estão na mesa, mesmo se você não quiser encarar. Se estas coisas não forem expostas, se não for jogada uma luz nestas questões, então elas podem piorar", disse Redford.
Mas o evento também mostra filmes mais leves, como The Good Life, do escritor e diretor Steve Berra, que conta a história de um jovem administrando um velho cinema em uma cidade pequena.
Padre Nuestro conta a história de jovem que escolhe fugir de seu passado criminoso e encontra um grupo de imigrantes ilegais indo do México para Nova York.
Mais de 120 filmes serão exibidos durante o festival de dez dias, que será encerrado no dia 28 de janeiro.