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18 de dezembro, 2006 - 15h40 GMT (13h40 Brasília)

Ópera de Mozart tem segurança máxima em Berlim

Detectores de metal e aparelhos de raio X do tipo usado em aeroportos serão instalados em um teatro em Berlim para revistar o público presente a uma produção que inclui entre seus adereços uma cabeça decapitada do profeta Maomé.

A segurança no teatro foi reforçada porque os produtores temem protestos de muçulmanos contra a montagem da ópera Idomeneo, de Wolfgang Amadeus Mozart.

Jesus, Buda e o deus grego Posídon também são decapitados no espetáculo.

Mas a religião islâmica proíbe imagens de Maomé. No início deste ano houve protestos violentos em diversos países quando um jornal dinamarquês publicou 12 charges do profeta.

A produção, do diretor Hans Neuenfels, teve sua estréia há três anos e chamou pouca atenção na época.

Os protestos em torno do caso dinamarquês, entretanto, acabaram repercutindo na apresentação desta segunda-feira, que está gerando polêmica.

Críticas

Em setembro, a ópera alemã Deutschen Oper Berlin, onde estava sendo exibida a montagem, cancelou o espetáculo seguindo conselhos da polícia. Mas a decisão provocou críticas na capital alemâ.

Enquanto alguns líderes muçulmanos aplaudiram a notícia do cancelamento, o líder da comunidade turca na Alemanha, Kenan Kolat, qualificou a decisão de "um retorno à Idade Média".

A premiê alemã, Angela Merkel, e o ministro da Justiça, Wolfgang Schaeuble, também se opuseram ao cancelamento.

O diretor Neuenfels insistiu para que sua criação não fosse alterada.

A cena em questão, onde o rei de Creta apresenta as cabeças decapitadas, é um protesto contra "qualquer forma de religião organizada, ou seus fundadores", disse Neuenfels.

O porta-voz da polícia Berhard Schodrowski disse à agência de notícias Associated Press que policiais vão estar de prontidão em torno do teatro "para qualquer eventualidade".