12 de dezembro, 2006 - 10h52 GMT (08h52 Brasília)
O tenor Roberto Alagna surpreendeu a audiência do teatro La Scala, em Milão, quando abandonou o palco durante sua apresentação, após receber vaias da platéia.
O cantor franco-italiano, que estava fazendo o papel principal da nova e prestigiosa encenação de Aida, de Verdi, parou de cantar durante um dueto logo no início da segunda noite de apresentação.
Segundo Alagna, a culpa foi do comportamento hostil do público.
“Eu já cantei em todo o mundo e tive sucesso, mas diante da platéia eu senti que estava em um mundo diferente. O público realmente animado e fogoso não estava lá”, disse ele.
Minutos depois da saída de Alagna, seu substituto, o tenor Antonello Palombi, entrou no palco para continuar a apresentação, usando jeans e sem aquecimento vocal apropriado.
“Eles literalmente me pegaram e me jogaram no palco”, disse Palombi à agência de notícias Ansa. “Foi um bom teste e eu passei.”
A direção do espetáculo pediu desculpas ao público antes do início do terceiro ato.
Falando após a apresentação, o maestro, Ricardo Chailly, disse: “Em muitos anos no La Scala, nunca vi nada parecido com o que aconteceu nesta noite”.
Críticas
O público do teatro La Scala é conhecido por ser exigente.
A aguardada montagem de Aida, dirigida por Franco Zefirelli, havia estreado na quinta-feira para uma audiência repleta de celebridades, entre elas o primeiro-ministro italiano Romano Prodi e a chanceler alemã Angela Merkel.
A expectativa era de que a montagem pudesse ajudar a restabelecer a Itália como um centro de excelência no cenário mundial de ópera.
A apresentação, na estréia, foi aplaudida por mais de 15 minutos.
Mas as críticas ao desempenho de Alagna na estréia não foram positivas.
Ele estava interpretando o papel de Radamés, o comandante egípcio que precisa escolher entre seu amor pela escrava Aida e sua lealdade ao Faraó.
Na segunda noite, o tenor teve um “começo nervoso”, de acordo com o jornal italiano La Republicca.
A próxima apresentação está marcada para a noite desta terça-feira.
Os ingressos custam até dois mil euros (cerca de R$ 5.600) e todas as 11 apresentações tiveram vendas esgotadas em menos de um dia.