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07 de novembro, 2006 - 12h05 GMT (09h05 Brasília)

Imelda Marcos lança grife de moda com coleção de bijuterias

A ex-primeira-dama das Filipinas, Imelda Marcos, está lançando sua própria grife.

Imelda, viúva do ditador Ferdinando Marcos, ficou conhecida por sua enorme coleção de sapatos - que chegou a ser estimada em 3.000 pares e virou símbolo dos excessos cometidos pelo marido enquanto governava um país dominado pela pobreza.

A grife, chamada Coleção Imelda, foi lançada em um hotel da capital, Manila. A primeira coleção traz uma linha de bijuterias criadas pela filha mais velha de Imelda, Maria, conhecida como Imee.

Segundo Imee, as bijuterias foram feitas a partir de bugigangas encontradas por Imelda em mercados de pulgas e até mesmo peças do próprio guarda-roupa da ex-primeira-dama, de 77 anos.

“Os acessórios são apenas uma desculpa. É apenas um lembrete visual dessa atitude que ela quer dividir, o espírito Imelda”, disse Imee.

Imelda contou que a idéia de lançar a grife veio de seu neto, Martin "Borgy" Manotoc, após observar os acessórios que ela estava criando com o material encontrado nas incursões pelos mercados da cidade. “Você está criando coisas lindas, como jóias, praticamente usando lixo”, teria dito Borgy.

No futuro, a marca deverá incluir também roupas e sapatos.

Corrupção

As peças da Coleção Imelda serão vendidas por preços que variam entre US$ 20 e US$100 (R$ 40 e R$215), valores modestos se comparados às peças do extravagante guarda-roupa da ex-primeira-dama.

Há relatos de que apenas a coleção de sapatos de Imelda continha três mil pares. Mais de 1.200 deles foram largados no palácio presidencial quando Imelda e Ferdinand fugiram do país após a revolução popular de 1986.

"O que nós estamos vendendo não é algo valioso, mas (...) é algo de valor incalculável porque é apenas a beleza que pode alimentar o espírito", disse Imelda.

Imelda Marcos foi condenada por corrupção nos anos 90 e sentenciada a uma pena mínima de 12 anos de prisão. Mas a condenação acabou sendo retirada depois de uma apelação.

Imelda ainda enfrenta uma série de ações civis e criminais por causa de alegações de que ela e seu marido teriam acumulado mais de dez bilhões de dólares durante os 20 anos que ficaram no poder.

Ferdinando Marcos morreu no Havaí, em 1989.

A ex-primeira-dama, que nega as acusações, voltou às Filipinas em 1991. Até agora, nenhum membro da família foi condenado em última instância por causa de acusações de corrupção.